Delegado alerta sobre aumento de adolescentes no tráfico

Fotos: Valéria Cuter

 

O delegado titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE), Paulo Fábio Buchignani (foto), reconhecidamente, um dos profissionais mais competentes e atuantes da Polícia Civil da região, não vê uma luz no fim do túnel, com relação ao envolvimento de adolescente no submundo do tráfico.

Conhecedor de todos os meandros do tráfico, Buchignani que já esteve à frente de incontáveis operações revela que a despeito das prisões efetuadas envolvendo adolescentes  não é somente a repressão que pode conter o avanço do tráfico. “As apreensões são importantes e feitas com muita regularidade não só pela Polícia Civil, como pela Militar e Guarda Municipal, mas o melhor caminho para minimizar a incidência de adolescente no tráfico é a educação e prevenção”, prega o delegado.

Buchignani diz que o  aumento significativo de menores no tráfico, é também social. Passaria, segundo ele,  por problemas como má formação escolar e educacional, muitas vezes, face à desestrutura familiar. “Esse jovem não quer saber de estudar mais. Não se interessa em buscar um melhor desenvolvimento e um trabalho de melhor remuneração ou coisa assim. Eles, simplesmente, não conseguem ter esse tipo de raciocínio”, diz o delegado.

Ele enfatiza que na busca do ganho fácil são recrutados pelo crime e pelo tráfico e com isso, ganham dinheiro e notoriedade no meio onde vivem e chegam a disputar entre eles, perante o dono da biqueira, para conseguirem um lugar para venderem a droga. “Nesses locais são encarados como meras peças de reposição”, observou Buchignani. “Apreende-se um pela manhã e à tarde já tem outro em seu lugar”, acrescentou.

O delegado que, no último mês completou 19 anos de atuação frente à Delegacia Especializada no combate ao uso e tráfico de drogas, mostrou-se bastante pessimista quanto a eventuais melhoras. "Tenho a plena convicção de que o panorama só vai piorar. O número de usuários de drogas é impressionante em qualquer cidade e isso faz aumentar a oferta de droga".

E conclui: “No meu entender seria necessária uma repressão ainda mais rigorosa, para aqueles que já fazem parte do contexto criminal de uso e tráfico e uma forte política de prevenção e educação, para evitar que crianças e jovens que ainda não ingressaram nesse mundo, o façam. Por hora, o conselho é  que cada pai, cada mãe, cuide muito bem de seus filhos”.