Coronel Fátima Dutra assume um dos postos mais altos da PM

Na noite desta sexta-feira em concorrida solenidade que contou com a presença de autoridades civis e militares de diferentes cidades do Estado de São Paulo, a coronel Fátima Ramos Dutra, de 46 anos de idade, assumiu o Comando de Policiamento do Interior da Sétima Região (CPI-7) que tem sede na cidade de Sorocaba. Ela substitui o coronel Silvério Leme Filho, que passou para a reserva. O {n}jornal Acontece Botucatu{/n} esteve presente na solenidade e registrou os momentos que marcaram a posse.

Dos 10 CPI’s instalados no Estado de São Paulo, apenas o da região de Sorocaba terá uma mulher no posto mais alto e a coronel Fátima terá sob sua responsabilidade a segurança em 79 municípios, dentre eles Botucatu, contando com um efetivo de aproximadamente 5.000 policiais, entre homens e mulheres.

O CPI-7 é responsável pelo planejamento, coordenação, apoio e fiscalização das ações operacionais de preservação da ordem pública no 7º BPM/I, sediado em Sorocaba; no 12º BPM/I, sediado em Botucatu; 22º BPM/I, em Itapetininga; 40º BPM/I, em Votorantim; 50º BPM/I, em Itu; 53º BPM/I, em Avaré; e 54º BPM/I, em Itapeva.

A comandante Fátima este ano completa 28 anos de serviço na PM e, há quase três anos, atua em Sorocaba. Já dirigiu o Comando de Policiamento de Área Metropolitano (CPA/M-4), na capital e respondeu pela chefia da Casa Militar. Antes, comandara o 30º Batalhão em Mauá, na região do ABC. Desde abril de 2008, quando se mudou para Sorocaba, Fátima Dutra estava no subcomando do CPI-7.

Ao descerrar a placa deixando seu nome da Galeria dos Comandantes do CPI-7, o coronel Silvério elogiou a conquista da companheira de farda ressaltando que o que a levou até o posto não foi a fato de ser mulher, mas sim o excelente trabalho que ela vem realizando. “O fato de ser mulher tem o seu diferencial, sim. Mas a corporação preza muito a competência e o trabalho. E ela tem toda essa característica e, com certeza, vai engrandecer ainda mais a nossa região”.

O ex-comandante do CPI 7 explicou que, segundo as regras da PM, um coronel pode ficar apenas cinco anos dentro da corporação. “Este mês (março) faço cinco anos. Mas é uma medida muito boa porque você renova a parte superior da polícia”, coloca.

Na PM de São Paulo há 61 coronéis e apenas três mulheres. Fátima Dutra é uma delas, mas a única que integra o Alto Comando da corporação – um grupo seleto de 26 homens que decide os rumos da segurança pública do estado. Há seis anos uma mulher não integrava esse grupo.

Kardecista, a coronel adora borboletas e pedras. Na sua mesa no quartel, pedras são usadas para bons fluidos. Outra paixão são as borboletas, que representam a liberdade e sua coleção de elefantinhos. “Tem de deixar de costas para a porta para trazer sorte.”, diz, revelando que pretende comprar um elefante grande rosa, que viu em uma cidade vizinha. Nas horas vagas, a oficial gosta de caminhar em um parque perto da sua casa, sempre ? noite, depois do final do expediente. Em entrevista ela revelou como pretende atuar no comando de um dos mais altos cargos da PM de São Paulo.

{n}Comando do CPI-7 {/n}

“É realmente uma grande honra, ainda maior por ser a primeira mulher a atingir esse posto. Uma grande missão que cumprirei com toda a minha força. Tenho muito orgulho pela confiança que depositaram em mim, como profissional e também como pessoa. Nunca tive problemas de desrespeito de hierarquia porque sou mulher. Temos um regulamento disciplinar forte e também sou exigente, gosto das coisas certas”.

{n}Trabalho de qualidade{/n}

“Nosso objetivo é dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo coronel Silvério e vamos buscar conhecer melhor as 79 cidades que fazem pare da nossa área de atuação para poder efetuar um trabalho de qualidade. Lógico que é muito difícil, pois são muitos municípios. Mas a principais cidades, onde estão instalados os batalhões e algumas cidades menores, eu já conheço”.

{n}Mulher na PM{/n}

“A situação das mulheres na Polícia Militar melhorou muito com o passar dos anos. Em 1955, quando as mulheres começaram a trabalhar na PM, existiam 13 policiais femininas. Hoje são mais de 10 mil. Sem contar que hoje a mulher atua em todas as atividades e funções administrativas e operacionais. A mulher PM é igual a qualquer mulher. Sempre incentivo nossas policiais a estarem bonitas, se cuidarem. As mulheres estão cada vez mais galgando posições de liderança. Elas são sentimentais, mas precisam se fazer respeitar”.

{n}Conhecimento técnico{/n}

“Hoje o policial tem muito mais conhecimento técnico e tático, pois a polícia evoluiu e a tendência é melhorar cada vez mais. Foram muitas melhorias e recursos liberados pelo governo. Hoje, existe uma maior proteção individual ao policial militar, o que, automaticamente, melhora a prestação de serviço”.

Por: Quico Cuter

Fotos: Macaru / Valéria Cuter