Comandante do 12º BPM-I fala sobre a criminalidade

Responsável pelo comando de 13 cidades que fazem parte da área de comando do 12º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I) de Botucatu, o Tenente-Coronel Wagner Tardelli, que assumiu, oficialmente, o comando do 12º BPM-I em junho do ano passado, vem desenvolvendo um trabalho que contribuiu para que Botucatu figurasse entre as cidades mais seguras do Estado para se viver.

“Não cheguei para mudar e sim para somar e ajudar”. Foi esse o comentário do Tenente-Coronel em seu primeiro dia de trabalho frente ao 12º BPM-I. Em entrevista ao jornal Acontece, Tardelli, contou sobre sua carreira, desde quando entrou na Polícia Militar em 1985, como Cadete. Formou-se na Academia Barro Branco em 1987. Foi integrante do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar de São Paulo. Além de discorrer sobre como a PM vem trabalhando e quais são seus projetos para contribuir com a queda nos índices de criminalidade.

{n}Acontece Botucatu – Primeiramente, comandante, gostaríamos que falasse um pouco da sua trajetória dentro da Polícia Militar e como avalia esses meses frente ao comando do 12º BPM-I, de Botucatu, administrando 13 cidades da região.

Wagner Tardelli:{/n} Ingressei na Polícia Militar do Estado de São Paulo mediante concurso público para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 1985. Conclui o Curso de Formação de Oficiais em 1987, sendo declarado Aspirante-? -Oficial. Galguei, em 28 anos de serviço, os postos de: tenente, capitão, major e tenente-coronel. Atuei nos municípios de São Paulo, Barueri, Osasco, Votorantim, Sorocaba e, atualmente, em Botucatu e região. Na Corporação: especializei-me em finanças públicas, graduei-me em Educação Física pela Escola de Educação Física da PM (primeira Faculdade de Educação Física do Brasil). Cursei pós-graduação (doutorado e mestrado em Ciências Policiais de Ordem Pública), obtive as licenças de piloto comercial multi e monomotor, de avião e helicóptero, com habilitação para voo por instrumentos, durante os quinze anos em que servi no Grupamento de Radiopatrulha Aérea (os Águias de São Paulo).

{n}Acontece – O senhor vem mostrando ? população que é adepto a realização de operações surpresas em diferentes pontos da cidade. Com essas ações são planejadas?

Tardelli: {/n}O crime está constantemente se atualizando, mudando a forma de atuação e buscando inovar para fugir da persecução policial e penal. A polícia, a todo momento, atua para restabelecer a ordem e a segurança pública. Dessa forma, quando observamos, por meio de ferramentas de inteligência disponíveis para a Corporação (COPOM on line, INFOCRIM, FOTOCRIM, INFOSEG, entre outros), a tendência de aumento de uma modalidade criminal, unidos ? s demais forças de segurança de Botucatu, atribuímo-nos metas e funções para o restabelecimento da ordem e segurança pública. Da mesma forma, a Polícia Civil efetua levantamentos e “trocamos figurinhas” unindo forças para combater a criminalidade. A surpresa nas operações, aliada ao planejamento e ? união das forças de segurança, do Ministério Público e da Magistratura, refletem nos índices de segurança e no reconhecimento, por dois anos consecutivos, de ´status´ de município com mais de 100 mil habitantes mais seguro do Estado de São Paulo. Por exemplo, em Botucatu, a taxa de homicídios em 2012 foi de 6,91homicídios por 100 mil habitantes, índice comparável a uma cidade paulista de população de cinco mil habitantes.

{n}Acontece – E como são planejadas as operações desenvolvidas, conjuntamente, com a Polícia Civil e Guarda Municipal?

Tardelli: {/n}O planejamento das operações desenvolvidas é baseado nas análises criminais de quais índices criminais estão em ascensão. Estudamos horários, locais, ´modus operandi´ dos infratores da lei e distribuímos as funções entre as forças de segurança, de forma a maximizar as ações com os menores custos e menores efeitos secundários. Nesse planejamento, utilizamos as chamadas ferramentas inteligentes (programas de computadores das Polícias Militar e Civil: Infoseg, Infocrim, Fotocrim, Copom on line e Sistema Ômega) e informações colhidas dos próprios policiais e do disque denúncia (181).

{n}Acontece – Um grande problema social tem sido, há décadas, a questão do tráfico de drogas. Em relação a essa modalidade de crime, como a polícia tem agido na repressão na região?

Tardelli: {/n}As drogas são um problema social, uma ´doença´, que atinge indistintamente integrantes de todos os segmentos sociais, desde os mais modestos aos mais abastados. Para combater essa modalidade criminal são efetuados levantamentos pelos setores de inteligência de ambas as Corporações e, com base nesses estudos, deflagradas operações com mandados de buscas e apreensões expedidos pela Justiça. Cabe ressaltar o apoio incondicional do Ministério Público e da Magistratura local ? s polícias, o que facilita sobremaneira nossas ações. Outro fator importante para o sucesso das ações são as informações prestadas pela população pelo disque denúncia (181), na qual o cidadão, sem se identificar, auxilia a polícia avisando a prática de crimes na área em que atua e que vive. Graças a essas ações, somente nos primeiros meses de 2013 (até 15de abril) foram apreendidos na região, pelo 12° BPM/I quase 74 kg de drogas ilícitas (69 kg de maconha, 1,8 Kg de crack e 3 Kg de cocaína) sem contar as apreensões efetuadas pela Polícia Civil e pelas Guardas Municipais.

{n}Acontece – Não é segredo que a PM de São Paulo conta com um número de policiais reduzido e a região de Botucatu não é diferente. Como adequar o policiamento preventivo ? s operações sem prejudicar a produtividade?

Tardelli: {/n}O efetivo de cada unidade operacional da Polícia Militar é calculado com base em diversos fatores (população fixa e pendular, índices criminais, presídios, favelas, áreas de invasão de terras, entre outros). No caso de Botucatu e municípios da região também foram utilizados esses indicadores, sendo que o efetivo tem demonstrado ser suficiente para atender ? s demandas. Fatores sazonais como festas são supridos com movimentação de efetivo para cumprir escalas extraordinárias. Obviamente, existe um ´turn over´ no efetivo, com as aposentadorias, pedidos de movimentação por interesse próprio, que são supridos, por novos policiais militares formados constantemente nas unidades de ensino da Corporação. Além disso, a atividade delegada auxiliará sobremaneira a suprir essa demanda. A Atividade Delegada é um convênio firmado entre as Prefeituras e a Secretaria da Segurança Pública, que permite aos policiais militares desempenharem suas funções nos dias de folgas. Os PM podem trabalhar por, no máximo, 12 dias por mês e a carga horária não pode passar de oito horas por dia.

{n}Acontece – O que população de Botucatu e demais cidades da região que fazem parte de sua área de comando pode esperar da PM nos próximos meses?

Tardelli: {/n}A novidade deve ser a assinatura dos convênios entre o Estado de São Paulo e as Prefeituras de Botucatu e de Anhembi para a realização da atividade delegada, na qual os Policiais Militares poderão exercer o poder de polícia municipal, entre os quais, atividades de fiscalização de bares, fiscalização e coibição do comércio irregular, fiscalização de casas noturnas, bem como o apoio ? fiscalização do silêncio, entre outras. Por meio desse convênio, policiais militares, no seu horário de folga, utilizando equipamentos da Corporação (armamento, coletes, rádios e viaturas) poderão reforçar o efetivo de serviço, atuando em atividades típicas do município. Ganham os policiais militares que complementam seu salário, sem exercer atividade extra-corporação (bico), protegidos pela legislação, inclusive no caso de algum incidente ou acidente resultante desse trabalho com seguro contratado pelo Estado. Para o município representa um ganho pela maior presença policial com economia de recursos, pois o município não assume qualquer outro encargo além do pagamento das horas trabalhadas. O investimento do município é muito menor que o necessário para a contratação de novos agentes do serviço municipal e resultam benefícios imediatos para a comunidade, gerando aumento na sensação de segurança. Representa maior presença da força pública junto ? comunidade, potencializando-se o permanente trabalho voltado ? segurança pública, questão de grande clamor público e que hoje representa também um sério desafio para a administração municipal. Vários outros municípios demonstraram interesse nesse convênio e estamos trabalhando para que sejam firmados pelos demais municípios da região.

{n}Acontece – Deixo-lhe á vontade, coronel Tardelli, para suas considerações finais. O espaço é seu.

Tardelli: {/n}Quico, finalizo minhas palavras agradecendo, primeiramente a Deus pela oportunidade de desenvolver minhas atividades ? frente do 12° BPM/I atuando juntamente com uma elite de policiais que compõe esta unidade da Polícia Militar, aos amigos da Polícia Civil, das Guardas Municipais de Botucatu, São Manuel, Laranjal Paulista, Conchas e Areópolis, aos integrantes do Ministério Público e da Magistratura pelo apoio incondicional ? s forças de segurança. À população de Botucatu e região que confiem e contem com as forças de segurança denunciando através dos telefones de emergência 190 e do disque denúncia (181) quaisquer suspeitas de atividades criminais em suas áreas de convívio. Finalmente, agradeço ? imprensa da região pelo trabalho sério e construtivo com que tem conduzido o mister de informar a população regional das atividades das forças de segurança de Botucatu e região.

Foto: Valéria Cuter