Cadeia de Botucatu já está totalmente desativada

Fotos: Valéria Cuter

A Cadeia de Botucatu está, oficialmente, desativada. Todos os presos das dez celas das duas alas, foram transferidos para outras unidades prisionais, principalmente, ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Cerqueira César. A cadeia iniciou suas atividades na década de 60 na Rua Professor Vagner, região do Bairro Alto foi construída para abrigar 60 detentos, número suficiente para a época. Entretanto a Cidade teve um crescimento populacional considerável e o número de vagas permaneceu inalterado gerando a superlotação.

Em 2010 chegou a ter 245 presos, ou seja, média de 24 presos por cela. Foi necessário que a então juíza Adriana Toyano Fanton Furukawa determinasse a interdição parcial da cadeia, que passou a abrigar um máximo de 120 detentos. Esse foi o primeiro passo para se chegar a interdição total da cadeia, ocorrida no início de março deste ano.

Com a desativação as pessoas do sexo masculino que forem presas em flagrante serão encaminhadas para a Cadeia (transitória) de Itatinga e lá passarão cerca de 36 horas até serem escoltadas a Cerqueira César. Serão separados presos adultos dos adolescentes. Esse processo será semelhante em Porangaba com pessoas do sexo feminino, antes de serem conduzidas ao CDP de Pirajuí.

O delegado Geraldo Franco Pires, diretor da Cadeia Pública nos últimos seis anos, coordenou todo o processo de desativação que foi consolidado nesta segunda-feira (11) e vistoriou todas as 10 celas do complexo prisional botucatuense. Todos os 12 funcionários que prestavam serviços na Cadeia Pública estão sendo remanejados para outros setores da Polícia Civil como escolta, Delegacia Seccional ou distritos policiais. Diz que prédio é bastante amplo e pertence ao governo do Estado e poderá ser usado, futuramente, pela própria Polícia Civil para, por exemplo, abrigar as delegacias especializadas.

“Não fosse a pressão da sociedade, resumidas principalmente na força da mídia, e apoiadas pelo Judiciário e por nossa Delegacia Seccional através do Dr. Antonio Soares, não teríamos conseguido fechar a Cadeia Pública que tanta dor de cabeça deu para nossa polícia e, consequentemente, para todos os botucatuenses. O prédio é bastante amplo e pertence ao governo do Estado e poderá ser usado, futuramente, pela própria Polícia Civil para, por exemplo, abrigar as delegacias especializadas. Mas esse processo do uso do prédio está sendo coordenado pelo delegado seccional de Polícia”, frisou Franco Pires.

Ainda no interior das dez celas ficaram objetos trazidos pelos presos, como colchões, cobertores, roupas, calçados e até aparelhos de televisão. O delegado explica que quando uma pessoa entra na cadeia é feito uma lista das coisas que trás de fora pra dentro. Quando é colocado em liberdade ou transferido acaba deixando alguns de seus objetos para uso de outros presos. “Por esta razão, ficaram objetos que serão recolhidos, oportunamente, para serem destruídos”, explicou o delegado.

Ele não esconde que em embora tenha sido difícil e desgastante ser diretor da cadeia foi o maior desafio de sua carreira. “O policial não é preparado para cuidar de preso, ele é forjado para investigar e prender e eu me incluo dentre os policiais com estas características, sendo portanto incoerente dar a tarefa de cuidar de preso ? quele que tem por missão prendê-lo. Mas o problema existia e coube a mim sua resolução”, colocou. Lembra que em 2007, antes de assumir, quando houve a rebelião mais sangrenta da história havia 84 presos reclusos, todos de Botucatu. “Depois que assumimos, após a rebelião, a quantidade mínima de presos que tivemos era 120, chegando ao ápice de possuirmos encarcerados 245 presos, e o pior pé que eram, na sua maioria, de outras regiões”.

Franco Pires alegou que quando for inaugurado o CDP de Itatinga, que está em fase de licitação, a região viverá um novo momento no sistema carcerário. “O Centro de Detenção Provisória de Itatinga, tem previsão de ser inaugurado em 2014. Com isso, os presos que respondem a processos judiciais junto as Varas Criminais de São Manuel, Botucatu, Conchas, Laranjal Paulista e Porangaba poderão ser recambiados para esta unidade, reservando-se Cerqueira Cesar para os presos recolhidos na região de Avaré. Mas esse assunto compete a Secretaria da Administração Penitenciária e Justiça”, finalizou o delegado.