Bairro Alto será o “centro nervoso” da Polícia Civil

O complexo que por mais de 40 anos abrigou a Cadeia Pública de Botucatu, no Bairro Alto, com suas dez celas, está passando por ampla reforma e deverá se transformar em sede da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE). O atual prédio da DIG poderá ser a sede da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Em 2010 a cadeia chegou a ter 245 presos, ou seja, média de 24 presos por cela. Foi necessário que a então juíza Adriana Toyano Fanton Furukawa determinasse a interdição parcial da cadeia, que passou a abrigar um máximo de 120 detentos. Esse foi o primeiro passo para se chegar a interdição total da cadeia, ocorrida no início de março deste ano. Outras cadeias da região como as de São Manuel, Itatinga e Conchas também foram desativadas.

O presídio botucatuense foi desativado em razão do projeto do governo do Estado em desativar as cadeias que fazem parte da área de comando da seccional de Botucatu, que já não atendiam as necessidades da região. Atualmente, os presos estão sendo remanejados, emergencialmente, para outros presídios, principalmente ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Cerqueira Cesar, que está localizado na zona rural da Cidade, na SP-245 Rodovia Salim Antonio Curiati. Foi inaugurado no dia 4 de fevereiro deste ano e já está acima de sua capacidade.

“Desde que a cadeia de Botucatu foi interditada sempre defendi a idéia da instalação da DIG e DISE, no antigo prédio. As duas especializadas estão hoje instaladas em dois extremos da cidade em prédios alugados e seria interessante que cada uma tivesse o prédio próprio, já que a área pertence ao Estado”, colocou o delegado seccional de polícia, Antônio Soares da Costa Neto.

Lembra o seccional que atrás do prédio da cadeia desativada existe um espaço onde também já está acertada a construção do Instituto Médico Legal (IML) e Instituto de Criminalística (IC). “Então, num mesmo local poderemos ter DISE, DIG, IML, IC, que se agregariam ao Plantão Permanente, Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) e sede da Delegacia Seccional”, enumera o delegado.

{n}CDP de Itatinga{/n}

Para atender a demanda carcerária da região de Botucatu, que é de, aproximadamente, 450 presos, está sendo construído um CDP, no Distrito do Lobo, município de Itatinga, ? s margens da Rodovia Presidente Castello Branco, no km 228. Em atividade esse CDP terá capacidade para abrigar, cerca de 750 presos. A previsão é que esse complexo prisional seja inaugurado no segundo semestre de 2014 para atender a todas as cidades da e a obra está orçada em mais de R$ 37,8 milhões.

O delegado seccional Antônio Soares da Costa Neto, que agrega 11 municípios da região, salienta que a situação dos presos da região só irá solucionar quando o CDP de Itatinga iniciar suas atividades para alojar presos que ainda não foram submetidos a julgamento. “Não podemos parar de prender, mas também temos que ter presídios para colocar os presos. Isso não é só um problema da polícia, é um problema de cunho social que tem que ser enfrentado por todos nós”, destacou o seccional.

O juiz titular da 1ª Vara Criminal da Comarca e juiz/diretor do Fórum de Botucatu, Josias Martins de Almeida Júnior, enfatizou que a instalação do CDP é de fundamental importância para a região, administrado por agentes especializados para cuidar dos detentos. “Não quero dizer que isso eliminaria problemas como rebeliões, mas, seguramente, a fiscalização e o controle disciplinar será feito de maneira mais adequada e os presos monitorados. Além disso, a ressocialização seria mais eficaz”, aponta o magistrado.