Autor de roubo seguido de sequestro já responde por assassinato

Judicialmente, está bastante complicada a situação de Miguel Marques Ferreira, de 20 anos, co-autor de um crime de roubo, seguido de seqüestro relâmpago e cárcere privado cometido contra uma mulher de 56 anos de idade chamada Terezinha Martins G.K., no último dia 23 de dezembro (quinta-feira), por volta das 23h10. Isso porque Ferreira já responde por um crime de assassinato cometido no Jardim Monte Mor, em julho deste ano, contra sua ex-mulher.

No recente caso do roubo Ferreira agiu em companhia de Diego Vitorino Nascimento, de 21 anos. Armados com facas renderam a mulher no centro da cidade e a levaram para uma plantação de eucaliptos, na rodovia vicinal Eduardo Zucari, principal via de acesso ? empresa Eucatex, uma das maiores empresas em fabricação de chapas prensadas do mundo. A vítima foi amarrada e amordaçada, com o cinto de segurança do seu próprio carro, um Ford Ka.

Os marginais fugiram no carro da mulher levando a bolsa contendo documentos pessoais, talão de cheques, cartões de crédito e certa quantidade em dinheiro. Depois de algum tempo amarrada ela conseguiu livrar-se e pediu ajuda a um cidadão que trabalhava no horário noturno com uma máquina agrícola naquela região do Município e a Polícia Militar (PM) foi acionada.

O crime aconteceu por volta das 23h10, no cruzamento das Ruas Prefeito Tonico de Barros com a Cardoso de Almeida. Na manhã de sexta-feira (24), o carro da vítima foi encontrado abandonado pela Polícia Militar (PM) com a chave no contato, na Rua José Antunes Filho, altura do número 271, região da Cohab I.

Para o delegado Celso Olindo, que comanda a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), além do homicídio e do roubo seguido do sequestro relâmpago, Ferreira e Diogo Nascimento que estão presos na Cadeia Pública local, podem estar envolvidos em outros crimes que estão sendo investigados pela polícia. “Não podemos descartar essa hipótese”, disse o delegado, evitando dar maiores detalhes da investigação.

{n}O homicídio{/n}

Ferreira está respondendo em liberdade a um crime de homicídio cometido contra sua ex-mulher Elisângela Rodrigues Coelho, de 23 anos, ocorrido na madrugada de quinta-feira do dia 23 de julho, deste ano, na Rua 14, região do Jardim Monte Mor. A mulher foi encontrada pelos policiais militares cabo Cesar e soldado Márcio, de bruços na cama do quarto, seminua, com um tiro no peito.

Ferreira ao se apresentar ? delegada Simone Alves Firmino, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), acompanhado do seu advogado Danilo Carreira, alegou que o tiro havia sido acidental. Ele foi preso e dias depois fez a reconstituição do crime, revelando que quando chegou ? sua casa, percebeu o vulto de uma pessoa pulando a janela do quarto.

“Só lembro que saí e fui correndo atrás com o revólver, que era dela (da Elisângela), mas não vi mais ninguém. Depois voltei para dentro e começamos a discutir, porque perguntei se ela estava me traindo. Ela partiu pra cima de mim tentando me agredir e eu estava com o revólver na mão. Ela bateu na arma que disparou. Eu fugi, mas não sabia que ela tinha morrido e enterrei a arma no quintal”, afirmou, na ocasião, o autor do homicídio.

Para o advogado Danilo Carreira a reconstituição comprovou que desde o primeiro instante Miguel Ferreira vinha falando a verdade e o tiro foi acidental. “Acho que não existe dúvida de que o tiro que matou a mulher foi acidental, uma fatalidade. Até a trajetória da bala coincide com as declarações que ele deu e com a simulação que foi feita. Por isso pedimos que a prisão fosse revogada para que pudesse responder ao processo em liberdade, pois não havia razão para mantê-lo preso”, colocou o advogado.