Assassino volta ? cena do crime para fazer a reconstituição

“Só eu sei o que está me custando voltar aqui nesta casa depois de acontecer tudo aquilo. Acabei com minha vida e acabei com a vida dela. Estou muito arrependido e se pudesse voltar ao tempo, teria pensado mil antes de fazer uma coisa dessas. Eu deveria ter isso embora, quando a gente estava discutindo”.

Foi o que disse o pedreiro Anderson Caetano de Souza, de 38 anos, que no último dia 08 de dezembro, assassinou sua amásia Deonísia Francisco Cunha, de 41 anos de idade, que trabalhava como repositora de supermercado. O corpo da mulher foi encontrado na manhã do dia seguinte, no sofá da sala, com o crânio afundado em razão de receber golpes aplicados com um “machadinho”, que também é usado como martelo.

Na manhã desta quinta-feira (22) ele retornou ? casa onde o homicídio aconteceu na Rua Professor Solon Paes Caldeira, nº 233, região do Parque dos Comerciários IV, para fazer a reconstituição do crime, acompanhado da equipe do delegado Celso Olindo, da Delegada de Investigações Gerais (DIG), agentes da Guarda Civil Municipal e Polícia Técnica Científica.

Bastante emocionado e chorando muito ao entrar na casa onde assassinou a companheira com quem viveu dois anos, Anderson Souza relatou passo a passo os momentos que antecederam o crime e o que fez após a conclusão do ato, levando os policiais até uma área de pasto, nos que faz divisa com a casa onde se livrou da arma.

Reafirmou que desconfiava que ela o estava traindo (versão contestada por familiares da vítima) e na tarde daquele dia (8) teria visto ela saindo de uma caminhonete. “Começamos a discutir e ela me chamou de corno, depois foi embora e só retornou no início da noite, quando eu estava arrumando a árvore de natal. Recomeçamos a discutir e ela voltou a me chamar de corno. Perdi a cabeça, peguei o “machadinho” da minha sacola de ferramentas e bati na cabeça dela”, lembra o homicida.

Depois do crime diz que ficou algum tempo por ali sem saber o que fazer. “Depois, decidi pegar meus documentos e fugir. Fiquei a noite inteira andando sem rumo pela Cidade e voltei ? casa pela manhã para pegar algumas peças de roupas, cobri o corpo dela com um cobertor e depois fugi. Minha intenção era chegar ? casa de minha mãe, mas ? noite fui preso, dentro do ônibus perto de Panápolis”, lembrou.

Embora mostre arrependimento, Anderson diz que está preparado para pagar pelo crime. “A gente discutia muito por qualquer coisa e se agredia sempre. Algumas vezes cheguei a sair de casa, mas ela foi me buscar em Araçatuba. Vivemos dois anos assim, nesse vai e vem. Não tinha mais jeito de ficar junto e ela não queria separar, mas também eu não precisava fazer aquilo, por isso estou pronto para enfrentar a Justiça e pagar o que tiver que pagar”, diz, afirmando que não tinha relacionamento com os familiares da ex-companheira. “Eles não gostavam de mim e eu não gostava deles”.

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{n}{tam:25px}Filmando tudo{/tam}{/n}

Fabriciano Cunha, irmão de Deonísia acompanhou e filmou todo o processo da reconstituição, mantendo certa distância. Relatou que ainda sofre com a perda da irmã que, segundo ele, tinha uma vida muito conturbada ao lado de Anderson, já que, costumeiramente, acabava agredida por ele. “Por causa do seu jeito violento, ninguém da família gostava dele. Minha irmã viveu com ele há mais ou menos dois anos e sempre foi maltratada. Era ela que, além de ser agredida, sustentava a casa porque ele não gostava de trabalhar e bebia muito. Várias vezes pedimos para que o abandonasse, mas ela não aceitava e aconteceu uma desgraça daquelas”, disse Fabriciano.

Existe um processo que correu pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), desde o mês de julho, onde Deonísia pedia medida protetiva contra o companheiro para que não se aproximasse dela. “Entendendo que a mulher corria risco de morte, o juiz deferiu o pedido para que a medida fosse cumprida, mas nenhum dos dois havia comparecido na delegacia para conhecer a determinação judicial”, comentou a delegada Simone Alves Firmino.

Outro detalhe contido no inquérito policial é que Anderson Souza, já havia tirado a vida de um gato de Deonísia. O animal teria sido usado para fazer um “trabalho” para um terreiro de macumba e os parentes da vítima alegam que era fator comum ele espalhar velas acessas de diferentes cores pelos cômodos da casa.

Fotos: Valéria Cuter