Advogada afirma que policial preso não cometeu extorsão

“Analisei as gravações que foram feitas e estou convicta de que não houve crime de extorsão. Existiu um diálogo sem a demonstração de qualquer ameaça ou violência”. Foi o que disse nesta quinta-feira (16) a advogada Adriana Bogatti Guimarães Rizzo, que, juntamente com Evandro Rizzo, defende os interesses do policial militar Nivaldo Barbosa, preso no presídio Romão Gomes, em São Paulo, acusado de ter cometido crime de extorsão.

A advogada garante que em nenhum momento da fita gravada, o policial faz qualquer ameaça contra Rafael Pereira da Silva, o Rafinha que gravou a conversa com uma micro câmera instalada em seu relógio de pulso. “O conteúdo das gravações demonstram que ele (Rafinha) oferece dinheiro e carro ao policial para que este beneficie seus amigos presos por crime de tráfico. Por essas razões foi requerido aos órgãos competentes a apuração e verificação da existência de prática dos crimes de corrupção ativa e falso testemunho”, observa.

Citou que em depoimento Rafinha teme por sua integridade física. “Nas gravações, se verifica que ele procurou pelo policial várias vezes, escolheu o local de se encontrar com ele e quando Nivaldo falou não ter interesse em negociar, ele oferece um carro ao PM e enfatiza que ele será prejudicado se não houver acordo”, enfoca.

Explica que crime de extorsão é quando se exige algo de alguém, mediante violência ou grave ameaça, o que não se demonstra em nenhum momento das gravações. O dinheiro apreendido não foi pego com o policial, mas sim encontrado no piso superior de uma padaria.

O advogado Evandro Rizzo entende que o policial não deveria estar preso, uma vez que é casado, pai de família, policial condecorado, que tem 20 anos de serviços prestados ? polícia e a sociedade e até então nada o desabonava. “A opinião pública, melhor do que ninguém, é capaz de avaliar a injustiça em mantê-lo preso. Basta questionar casos conhecidos, de pessoas que praticaram crimes graves contra a vida de outros, como o da advogada Mércia, ou do criminoso que matou o estudante da USP para roubar seu carro, os quais respondem a processo crime em liberdade e compará-los ao caso do policial”, diz.

Lembra que o policial, apesar de estar pela primeira vez envolvido num processo criminal, sem ter praticado nenhuma violência contra a vida de ninguém, sem ter oferecido nenhuma resistência ao ser preso, sem jamais ter ameaçado uma pessoa, é mantido preso sob o fundamento de ser uma pessoa de alta periculosidade e oferecer risco ao andamento do processo.

“Por isso o pedido de habeas corpus foi impetrado, pois entendemos que ele tem o direito de responder o processo em liberdade, além de não estarem presentes os requisitos técnicos que a lei exige para manter uma pessoa presa, aguardando a decisão da Justiça”, observou Rizzo.

O PM está respondendo processo do Conselho de Disciplina da PM e numa primeira fase foram ouvidas as testemunhas de acusação, inclusive o próprio Rafinha. O próximo passo é ouvir o depoimento das testemunhas de defesa. Esse Conselho tem como presidente o comandante da 1ª Companhia, capitão Semensati e mais dois tenentes como membros: Freitas e Camargo. O policial também responde processo na Vara Criminal.

Fotos: Quico Cuter