Adolescente envolvido em tráfico já se tornou rotina

Como vem alertando o juiz da Vara da Infância e Juventude de Botucatu, Josias Martins de Almeida Júnior (foto),  casos de adolescentes infratores se enveredando ao crime têm aumentado nos últimos anos, principalmente os relacionados ao tráfico de entorpecentes, relatados com muita frequência pelos meios de comunicação. Esta semana vários casos foram constatados

Muitos garotos são “contratados” para “trabalharem” em diferentes pontos de tráficos espalhados por vários bairros de Botucatu  conhecidos como “biqueiras” e a rotatividade é muito grande. Se a polícia efetua a preensão de um adolescente pela manhã, no período da tarde outro toma o seu lugar.

Segundo o juiz muitos adolescentes acabam entrando para a criminalidade, incentivados principalmente por traficantes que oferecem o ganho do dinheiro fácil eles são levados ao crime, pois vêem a possibilidade de sustentar suas famílias e na maioria dos casos sustentar o próprio vício ocasionando um grave conflito social. Muitos acabam internados na Fundação do Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (CASA).

“A inclusão de adolescentes no tráfico de entorpecentes em Botucatu, no contexto atual, é preocupante. Posso dizer que 90% dos atos infracionais praticados por adolescentes estão relacionados ao tráfico. É preocupante porque o tráfico tem acabado com a infância, tem acabado com a juventude do adolescente e afetado diretamente sua família. Hoje as drogas, principalmente o crack, é um fator decisivo na prática do crime”, frisou Josias Júnior.

Magistrado realça que tem sido rigoroso com essa situação e aplicado medidas de internação para que o adolescente tenha um atendimento médico, psicológico e de drogadição. “Muitas vezes ao internar um menor por um determinado período, estamos, sim, protegendo sua vida. E não podemos nos esquecer que o adolescente que vem de uma família desestruturada está mais vulnerável para entrar na criminalidade. Tirar o adolescente desse ambiente é a nossa obrigação, é obrigação da sociedade“, finalizou o juiz.

A Fundação CASA de Botucatu presta assistência a jovens de 12 a 21 anos inseridos nas medidas socioeducativas de privação de liberdade (internação) e semiliberdade. As medidas, determinadas pelo Poder Judiciário,  são aplicadas de acordo com o ato infracional e a idade dos adolescentes.

Estão em regime de internação 64 adolescentes que praticaram os mais diferentes tipos de delitos, principalmente, tráfico de entorpecentes. Internos contam com atividades variadas compreendendo o ensino formal, educação profissional, educação física e esportiva, cursos profissionalizantes, atividades culturais e de lazer, entre outras. A média de internação no complexo de Botucatu é de um ano e dois meses.

Para manter a operacionalidade diária, a unidade conta com aproximadamente 100 pessoas, sendo 50% delas da própria Fundação custeada pelo governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania. O quadro se completa com funcionários do Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus Tratos na Infância (Crami) e terceirizados.