Acusado por três assassinatos volta a ser julgado

Denunciado como o autor de três homicídios triplamente qualificados, no mesmo dia, na mesma casa e com a mesma arma, o réu Wellington Gomes Conceição, de 38 anos de idade, volta a ser submetido a julgamento pelo mesmo crime nesta quinta-feira (20). No primeiro julgamento ocorrido em 2011 (foto), Conceição foi condenado a uma pena de 16 anos de reclusão, por apenas um dos crimes em sentença foi proferida pelo juiz substituto, Edson Lopes Filho.

A decisão dos jurados (cinco mulheres e dois homens) causou perplexidade no público e nos familiares das vítimas, pois o crime que aconteceu durante a madrugada do dia 1º de maio de 2008, fez três vítimas: a médica pediatra Jane Jerônymo da Conceição, na ocasião com 27 anos de idade, seu pai, João Jerônymo (77) e sua mãe Salvadora Robis Prado Jerônymo. Todos assassinados a golpes de marreta na cabeça.

Na ocasião o promotor de Justiça, Marcos José de Freitas Corvino pediu a condenação de Conceição pelos três assassinatos triplamente qualificados, mas o Conselho de Sentença (cinco mulheres e dois homens) entendeu que o réu assassinou sua ex-mulher, mas não teve participação na morte dos seus pais, que morreram de maneira idêntica. Por conta disso o promotor recorreu da sentença e um novo julgamento foi marcado. Desta feita será presidido pelo juiz presidente do Tribunal de Júri, Marcus Vinicius Bachiega.

Na defesa de Conceição estará atuando novamente o advogado criminalista Roberto Fernando Bicudo, nomeado pela OAB e definiu a tese de negativa de autoria, como estratégia de defesa, que acabou sendo acatada parcialmente pelo Conselho de Sentença. Ele foi assistido pela advogada Adriana Trancoso Peres.

“Não havia provas concretas no processo de que ele havia cometido esses crimes e a maioria dos jurados entendeu isso. Os crimes foram votados, isoladamente, e acredito que um dos sete jurados errou ao condenar o réu pelo assassinato de Jane e o resultado foi 4 a 3, desfavorável a ele. Na sequencia, com esse mesmo resultado (4 a 3) ele foi absolvido dos outros dois crimes. Se não tivesse havido o erro na primeira votação, ele poderia sair hoje daqui absolvido”, comentou Bicudo, na ocasião dos fatos.

{n}Relembrando o crime{/n}

O crime que gerou grande repercussão na Cidade, aconteceu durante a madrugada do dia 1º de maio de 2008, em uma residência na Rua Salvador Bavia, região do Jardim Continental e, de acordo com a denúncia feita pelo promotor de Justiça, Marcos José de Freitas Corvino, o réu Wellington Conceição assassinou a médica pediatra Jane Jerônymo da Conceição, João Jerônymo e Salvadora Robis Prado Jerônymo, que estavam na casa. Para realizar o crime o assassino fez uso de uma marreta com a qual desferiu vários golpes contra a cabeça das três vítimas.

Apurou-se durante o inquérito que Jane era casada com Conceição, mas o casal estava separado havia seis meses e ele não aceitava ficar longe da mulher tendo feito várias ameaças e tentado se suicidar. Em razão disso, Jane solicitou e foi beneficiada com uma medida protetiva de urgência, com base na Lei Maria da Penha e o ex-marido foi proibido de se aproximar dela e da família. Ele passou a morar em São Paulo, trabalhando numa transportadora.

No dia dos fatos, de acordo com o que está descrito na denúncia do promotor, Wellington Conceição viajou para Botucatu, armou-se com uma marreta e foi até a residência onde Jane morava com seus pais. Pulou o muro e bateu na porta, sendo atendido pela ex-sogra (Salvadora), que recebeu os golpes na cabeça e caiu na sala. Na sequencia, o homicida dirigiu-se até o quarto de Jerônymo que estava dormindo e o atacou com a marreta da mesma forma. Por fim, foi até o quarto da ex-esposa, que também dormia e aplicou vários golpes em sua cabeça.

O crime só foi descoberto por volta das 15 horas quando uma testemunha se deslocou até a casa e percebeu sangue que corria por debaixo da porta. Essa pessoa encontrou Salvadora caída na sala, ainda viva, mas agonizando e chegou a ser socorrida pela equipe de resgate do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos e veio a falecer. Nos outros dois quartos estavam o pai e a filha que foram assassinados enquanto dormiam.

Wellington Gomes Conceição foi preso na manhã do dia seguinte, na transportadora, em São Paulo, apontado como o principal suspeito do crime e permaneceu preso aguardando o julgamento. Ele nega ter cometido o triplo assassinato.