Acusado por assassinato no Bairro do Tanquinho é inocentado

Nesta quinta-feira no auditório da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil – Subsecção de Botucatu foi realizado o julgamento do réu Herbert Martinelli Stamponi, 32, que foi apontado como o autor do homicídio cometido contra Paulo Ricardo Nunes Correa, conhecido como Cebola, na ocasião, com 22 anos. O réu tinha 24 anos.

O crime aconteceu no dia 7 de outubro de 2002, na Rua Fausto Lyra Brandão, altura do número 251, no Bairro Tanquinho, no antigo campo de terra do time que representava o bairro no Campeonato Varzeano da cidade. Segundo consta nos autos, os dois haviam se desentendido dias antes na Praça São José, região central da cidade, onde Stamponi teria agredido o réu com uma chave mixa (chave falsa usada para abrir portas de carros), perfurando seu pescoço e teve que ser medicado.

Ainda está descrito nos autos que dias depois voltaram a se encontrar nesse campo de futebol (onde hoje está sendo construído um conjunto de prédios residenciais) e passaram a discutir. Correa tentou fugir, mas foi alvejado com um tiro nas costas que ocasionou sua morte. Outros dois tiros foram disparados, mas não atingiram o alvo. O acusado teria fugido e foi preso meses depois pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG. Atualmente, encontra-se recolhido na Casa de Custódia de Franco da Rocha, em São Paulo, onde estão alojados os presos com problemas psiquiátricos. O réu nega a autoria do crime.

Defendeu o réu o advogado criminalista Sebastião de Figueiredo Torres, que é decano (advogado em atividade mais velho da OAB). O defensor pediu a absolvição do réu, sob a tese de negativa de autoria e insanidade mental. Já o Promotor Público, Marcos José de Freitas Corvino, pediu a condenação acusando o réu de ter cometido o crime, por motivo torpe, agindo de surpresa sem dar qualquer chance de defesa á vítima.

Depois do embate entre acusação e defesa o Conselho de Sentença (júri popular) formado por sete pessoas (seis mulheres e um homem) ligadas a diferentes segmentos sociais de Botucatu, decidiu pela inocência do réu (4 votos a 3) e a juíza presidente do júri, Adriana Tayano Fanton Furukawa, proclamou o resultado.

Após a promulgação da sentença, familiares do réu e da vítima entraram em conflito e foi necessário que a Polícia Militar intercedesse para acalmar os ânimos. Já para o advogado defensor, fez-se Justiça. “Eu tinha convicção da inocência e acreditava na absolvição. Agora é necessário que se encontre o verdadeiro criminoso”, frisou Sebastião Torres. “Ele só não vai pra casa hoje porque pesa contra ele outros processos, mas desse homicídio ele está livre”, sacramentou o advogado.

{n}Réu acreditava na absolvição{/n}

No intervalo para o almoço (12h45 as 13h45), Herbert Stamponi aceitou falar com a reportagem do {n}Jornal Acontece {/n}desde que não fosse fotografado. Ele alegou que esperava ser absolvido.

{n}Acontece – {/n}E aí cara?
{n}HS – {/n}Tudo bem. Você viu?

{n}Acontece – {/n}O quê?
{n}HS – {/n}Tão querendo jogar isso (o crime pra cima de mim)

{n}Acontece – {/n}E não foi você?
{n}HS – {/n}Não! Não foi não!

{n}Acontece – {/n}Então, você é inocente?
{n}HS – {/n}Sou! Disse isso quando fui preso, disse pro juiz e disse aqui hoje.

{n}Acontece – {/n}E a provas?
{n}HS – {/n}Não tem prova. Nem eu estava lá naquele dia (do crime)

{n}Acontece- {/n}Mas, você tinha “tetra” com ele?
{n}HS – {/n}Isso tinha. A gente não se dava

{n}Acontece – {/n}Então…
{n}HS -{/n} A gente resolveu na mão (luta corporal)

{n}Acontece – {/n}E você sabe quem foi?
{n}HS – {/n}Nem faço idéia! Só que jogaram em mim.

{n}Acontece –{/n} Então você quer dizer que o criminoso está solto
{n}HS – {/n}Tô dizendo que não fui eu…

{n}Acontece – {/n}O que você espera desse júri?
{n}HS – {/n}Espero ser inocentado.

{n}Acontece – {/n}Sair livre?
{n}HS -{/n} Livre não, porque tenho outras coisas

{n}Acontece- {/n}Outros crimes?
{n}HS – {/n}Outras coisas, mas o que interessa é hoje aqui!

{n}Acontece –{/n} Bem, cara, boa sorte!
{n}HS – {/n}E o que você acha?

{n}Acontece – {/n}Do que?
{n}HS – {/n}Você acha que fui eu?

{n}Acontece – {/n}Não posso julgar, não é esse o meu papel
{n}HS – {/n}Mas você tem opinião?

{n}Acontece – {/n}Tenho, mas ela fica comigo
{n}HS – {/n}Tudo bem!

{n}Acontece –{/n} Boa sorte!
{n}HS – {/n}Falô! Não vai sair foto minha, vai?

{n}Acontece – {/n}Com certeza, não!
{n}HS – {/n}Falô!

Fotos: Quico Cuter