Acusado de assassinato é condenado a oito anos de reclusão

“Tinha um pouco de esperança de ser absolvido, mas estava preparado para ser condenado”, foi o que disse do réu Célio Aparecido de Camargo, de 42 anos de idade, após seu julgamento ocorrido nesta quinta-feira (4) no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Subsecção de Botucatu. Ouviu cabisbaixo a sentença proferida pela juíza Adriana Toyano Fanton Furukawa, imputando a ele oito anos de prisão em regime, inicialmente, fechado.

Ele alegou que não irá recorrer da sentença. ”Estou com esse peso nas costas há mais de 17 anos e quero pagar pelo crime que cometi. Aceito o que Deus preparou pra mim e só quero passar o Dia dos Pais com minha mulher e meus dois filhos, enquanto aguardo minha prisão ser decretada. Todos esses anos só pedia a Deus para cuidar de meus filhos e hoje eles são adolescentes e poderão passar um tempo sem eu estar o tempo todo ao lado deles”, colocou o réu.

Célio Aparecido de Camargo foi denunciado pela promotoria pública como o autor do assassinato cometido contra o taxista Antônio Carlos Quezine, ocorrido em 12 de novembro de 1994, por volta das 22 horas, na Rodovia Alcides Soares, no trecho compreendido entre Botucatu e Vitoriana. Quezine foi assassinado com cinco tiros. Num primeiro julgamento ocorrido em 1999, Camargo foi condenado em plenário a 15 anos de reclusão, mas o advogado Roberto Fernando Bicudo recorreu da sentença e foi marcado um novo julgamento.

Segundo a denúncia, Célio Camargo teria sido contratado por uma mulher de nome Maria de Campos Pedroso com quem mantinha um relacionamento amoroso, para tirar a vida do taxista. Mesmo sendo casada a mulher também teria tido um caso com Quezine por 12 anos e arquitetou a sua morte contratando Camargo, prometendo-lhe recompensa e uma vida em comum. Ele aceitou a proposta alegando amor ? mulher, que também foi denunciada como co-ré neste assassinato, mas foi julgada e absolvida.

Ainda está contido na denúncia que no dia dos fatos Camargo solicitou os trabalhos de Quezine para uma corrida até o Distrito de Vitoriana. Na volta ele teria sacado de um revólver e disparado os cinco tiros. Depois, colocou a vítima no banco traseiro do táxi e teria levado seu relógio e a carteira com dinheiro e documentos pessoais para simular um assalto e dificultar o trabalho investigativo. Ele foi preso dias depois do crime, mas permaneceu apenas 45 dias na cadeia e passou a responder o processo em liberdade aguardando o julgamento por 17 anos.

Maria Pedroso que teria sido o pivô do crime, vive até hoje ao lado de Camargo com os dois filhos em Conchas e que assistiram ao julgamento. “Muita coisa que foi dita não corresponde a realidade. Desde que tudo aconteceu vivemos num martírio, com essa sombra (o crime) pairando sobre nós. Agora deixamos nas mãos de Deus. O Célio vai passar um tempo longe da gente mas tenho certeza que conseguirá ser beneficiado e colocado em liberdade antes de cumprir a pena, pois é uma boa pessoa”, frisou a mulher.

{n}Aceitando a sina{/n}

O réu ficará em liberdade até que o mandado de prisão seja expedido pela Justiça, mas garante que não vai fugir. “Acho que vai levar uns dias para a prisão ser decretada e não iria aguentar ficar foragido. Como disse , quero pagar a pena, ficar livre disso tudo e voltar a ter uma vida normal”, disse enaltecendo o trabalho desenvolvido pelo seu advogado defensor e entendendo a posição do promotor de Justiça, Marcos José de Freitas Corvino que pediu sua condenação.

“O doutor Bicudo (Roberto Fernando) fez um grande trabalho e conseguiu diminuir minha pena ao máximo. No primeiro julgamento fui condenado a 15 anos e agora a pena caiu pela metade. Se Deus quiser cumpro dois anos e já posso entrar com o pedido para ficar em regime aberto”, previu. “O senhor promotor cumpriu o papel dele, pois o crime aconteceu. Ele não pediu a pena máxima, mas sim que eu fosse condenado, o que acabou acontecendo”.

A juíza Adriana Toyano Fanton Furukawa presidiu os trabalhos do júri, tendo ao seu lado a escrevente Eliane Camarinho Pilan. Na acusação, atuou o promotor de Justiça, Marcos José de Freitas Corvino e na defesa esteve o advogado criminalista Roberto Fernando Bicudo. O Conselho de Sentença que optou pela culpabilidade do réu foi formado por seis mulheres e um homem, todos ligados aos mais diferentes segmentos da sociedade botucatuense.

Fotos: Valéria Cuter