Moradores de Boituva transformam bitucas de cigarro em arte

Moradores da cidade de Boituva estão fazendo um trabalho social  coletando bitucas de cigarro para serem revertidas em dinheiro à uma entidade assistencial do município. A ideia é transformar o lixo em papel e depois em peças de arte para serem vendidas, explica o publicitário Caio César Oliveira, contratado pela prefeitura para organizar a iniciativa.

 “Esse material vamos transformar em massa celulósica, matéria-prima do papel, e em conversa com o serviço social da cidade, vamos destinar à uma entidade da cidade que vai transformar em arte visual que gerará renda. Então vamos conseguir transformar algo que faz mal desde a plantação, o fumo, em algo bom”, comenta.

Foram instaladas 20 caixas coletoras pelo Centro e, em cinco dias da colocação, já haviam sido descartados 1 mil bitucas, uma estimativa de 6 mil no primeiro mês, comenta o secretário de Meio Ambiente, Amilton de Pádua Serrão. “A população precisa se conscientizar. Era mais fácil jogar no chão do que em algum lugar adequado para isso. Agora diminuirá uma porcentagem gigantesca.”

 

Danos e reciclagem


Além do mal que faz à saúde do fumante ativo ou passivo (que inala a fumaça), o cigarro também é prejudicial para o meio ambiente. O publicitário Oliveira comenta que um dos argumentos usados para as pessoas jogarem o lixo na bituqueira é que o produto tem mais de 4,7 mil toxinas. “Entre elas níquel, cádmio, arsênio. Elas contaminam o solo, a água e são muito prejudiciais à saúde de toda população.”

O ambientalista Valter José de Almeida confirma a informação do idealizador, e aponta ainda que os metais pesados do cigarro podem causar grande estrago se em contato com os lençóis freáticos. “A cada 20 bitucas que são jogados no manancial equivale a um litro de esgoto. Se analisar é como se fosse uma grande poluição, tanto na questão do ar, água e solo”, conclui.

Diante de tantos produtos tóxicos, a reciclagem das bitucas de cigarro são feitas de forma diferente do que o papel comum. Segundo o empresário Marcos Poiato, dono de uma empresa especialista no ramo, o que é recolhido tem que ser processado do jeito certo pra que haja a descontaminação.

“É feito através de cozimento das bitucas de cigarro, água e química. Depois disso é feito a filtragem da água, retirado toda contaminação na celulose contida no cigarro, a massa é desidratada e posta em secagem e será transformada em papel”, explica.

Fonte:  G1