Hospital de Jaú teria feito testes com “pílula do câncer” em humanos

Foto – Divulgação

 

Afirmação é do pesquisador Gilberto Chierice e foi revelada no Senado Federal que discutiu o uso da fosfoetanolamina sintética no combate ao câncer

 

“O hospital nos usou como trampolim para ser hospital de pesquisa e deixou acabar. Não tem um dado clínico, mas tem gente que tomou (a substância)”. A afirmação é do pesquisador Gilberto Orivaldo Chierice, da USP de São Carlos, e foi revelada durante audiência pública no Senado Federal que discutiu o uso da fosfoetanolamina sintética no combate ao câncer – a droga não tem registro nos órgãos competentes, porém há diversos relatos de sua eficiência. 

Professor de química aposentado e principal pesquisador da chamada “pílula do câncer”, Chierice afirma que o produto foi testado em humanos pelo hospital Amaral Carvalho, de Jaú, por meio de convênio com a universidade entre 1995 e 2000. Ele alega que os trabalhos seguiram as regras que se aplicavam à época, do Ministério da Saúde, antes que as pesquisas passassem a ser reguladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ainda segundo o professor, os estudos foram publicados e desfrutam de reconhecimento internacional, porém não há informações sobre os relatórios produzidos pelo hospital após o fim do convênio.

Agora, os vereadores Edson Souza de Jesus (PRP) e Lucas Antunes (PSC) querem saber por que o Amaral Carvalho não possui essas informações. Eles irão apresentar requerimento sobre o assunto na próxima sessão ordinária, marcada para segunda-feira (9). “É nosso dever buscar a verdade, pois estamos lidando com vidas”, disse Edson. “Se o hospital realizou os testes, os relatórios precisam ser divulgados”, completa Lucas.

A convite do senador Ivo Cassol (PP/RO), ambos participaram da audiência realizada na última quinta-feira (29) pelas comissões de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e de Assuntos Sociais (CAS). Eles também entregaram Moção de Apoio ao senador pela iniciativa em discutir o assunto. O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional do Câncer (INCA) anunciaram que pretendem acompanhar os estudos e participar dos ensaios clínicos.