Em clima de emoção Rogério Ceni dá adeus ? torcida do São Paulo

Foto – Divulgação/Gazeta Press

 

O goleiro tem uma trajetória brilhante no São Paulo com 1237 jogos,  594 partidas no Morumbi, sendo 375 vitórias, 130 empates, 89 derrotas, com 110.639 minutos em campo e 131 gols

 

O último ano da carreira foi para se esquecer, com seguidas trocas de técnico, crise política e até renúncia do presidente Carlos Miguel Aidar. Já o último jogo oficial foi ainda mais dramático. Em 28 de outubro, o Santos massacrou na Vila Belmiro, venceu por 3 a 1 e eliminou o time tricolor nas semifinais da Copa do Brasil. Rogério ainda sofreu uma ruptura do ligamento tíbio-fibular do pé direito que o deixou fora de ação até o final da temporada.

E então veio o jogo de despedida. Tudo resumido em festa. De um lado, os campeões mundiais de 2005, quando Ceni foi o capitão. Do outro, os campeões mundiais de 1992 e 1993, quando, no segundo título, o goleiro era um reserva recém-promovido aos profissionais. Ambos times campeões. Ambos com Rogério Ceni.

Títulos não faltaram durante os 25 anos em que ficou no time tricolor. Três Campeonatos Paulistas, um Torneio Rio-São Paulo, Duas Recopas Sul-Americanas, uma Copa Conmebol, uma Copa Master Conmebol, uma Supertaça dos campeões da Libertadores, uma Sul-Americana e os principais: duas Libertadores, dois Mundiais de Clubes e três Brasileiros.

Antes de a bola rolar, um show de rock começou a programação da despedida de Ceni. Ao final do espetáculo, a tão aguardada hora chegava. Primeiro, veio o time de 1992/1993. Com os nomes chamados um por um, todos os jogadores entraram em campo individualmente. Os mais ovacionados pela torcida foram Raí, Cafu, Muricy Ramalho e Doriva, que era o técnico da equipe tricolor até mês passado, mas foi demitido do cargo.

Na sequência, vieram os campeões de 2005, com maior barulho dos torcedores para Lugano, Mineiro (autor do gol do título mundial), Amoroso, Aloísio e, claro, Rogério Ceni, que foi o último a entrar em campo. Após a execução do hino tricolor, os três capitães do tri mundial ergueram as taças conquistadas: Raí (1992), Ronaldão (1993) e Ceni, é claro, que ergue o troféu de 2005. Pronto, agora só faltava a bola rolar.

Depois do apito inicial, um dos primeiros jogadores a se destacar foi Amoroso. Ele abriu o marcador e ainda dominou uma bola de costas, o que levou a torcida à loucura. Já aos 30 minutos do primeiro tempo, Rogério Ceni foi substituído para a entrada de Bosco. No mesmo minuto, porém, o capitão do tri entrou com a camisa de linha no lugar de Edcarlos.

Ele logo passou a braçadeira de capitão para Lugano. Seria uma indireta para que o uruguaio volte ao clube do Morumbi? Nas arquibancadas, desde o começo, o grito era pedindo a volta do camisa 5. Um dos momentos marcantes para Ceni como jogador de linha foi justamente um pênalti. Mas não, ele não cobrou, como se acostumou a fazer durante os anos no São Paulo. Na verdade, Rogério cometeu um pênalti. Ele derrubou Ceni dentro da área. Pênalti! A torcida logo escolheu quem deveria cobrar: "Zetti! Zetti!".

E lá foi o camisa 1, mesmo tímido. O goleiro do bi mundial, porém, mostrou que também poderia cobrar pênaltis. Chute cruzado, forte e alto no canto direito. Sem chances para Bosco. Já na volta para o seu gol, Zetti vacilou, foi devagar e ficou agradecendo o carinho da torcida. Rogério Ceni viu o companheiro adiantado e chutou pro cobertura, a bola quicou no campo, mas passou por cima da meta. Quase um golaço.

No intervalo, o camisa 01 tricolor chorou e cantou a música "Envelheço na Cidade" junto com a banda IRA. Depois do show musical, o homenageado da noite voltou ao palco, desta vez para receber prêmios da FPF, CBF e troféus especiais, entregues por sócios torcedores.

O segundo tempo meio devagar, e os destaques ficaram com a idolatria para Raí e Zetti, substituídos logo no começo da etapa final. O mesmo se repetiu com Lugano, que saiu aos 24 para entrada de Thiago Ribeiro e ouviu mais uma vez o pedido da torcida para ele voltar. Enquanto Cafu mostrou que os 45 anos de idade não o impedem de correr. E como correr. O lateral-direito puxou contra-ataque pelo lado esquerdo e bateu cruzado de canhota para marcar um belo gol para o time 1992/1993.

Já aos 27 minutos, o time de 2005 teve um pênalti à favor. Adivinha quem foi para a bola? Rogério converteu pênalti e encerrou a partida com um gol. Encerra a carreira profissional com números interessantes:  1237 jogos pelo São Paulo. 594 partidas no Morumbi, sendo 375 vitórias, 130 empates, 89 derrotas. 110.639 minutos em campo. 131 gols.

Fonte:  ESPN/UOL