Veterinária de Botucatu tem seu banco de sangue animal

Fotos: Valéria Cuter

 

Assim como na medicina humana, na medicina veterinária, existem situações nas quais é necessário realizar transfusões de sangue e suas partes (hemocomponentes), e a falta de doadores é uma situação crítica para ambos.

Na rotina veterinária é comum enfrentar doenças que cursam com anemias profundas, sangramentos profusos e necessidade de repor proteínas do sangue. Pacientes traumatizados, que perderam sangue, intoxicados, em quimioterapia ou com insuficiências de órgão (como o rim) são apenas algumas situações em que a reposição de sangue se faz necessária para a manutenção do animal vivo até que o tratamento surta o efeito adequado. Para isso é utilizado sangue e, assim como na medicina humana, há falta de sangue no estoque dos bancos de sangues veterinários.

O Laboratório de Hemoterapia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp de Botucatu atualmente trabalha com sangue de cães, e através dele é possível salvar vidas e produzir conhecimento com as pesquisas desenvolvidas, tudo com o intuito final de auxiliar veterinários a salvar ainda mais vidas.

Entretanto, o banco de sangue precisa de novos doadores todos os dias e o hospital está aberto a interessados em fazer de seus animais os parceiros. O perfil do doador canino é bem distinto: idade entre 1 e 8 anos de idade; peso acima de 25 quilos; sem sinais de doença aparente (animal saudável); e esquema de vacinação e vermifugação atualizadas. Não existem raças específicas para doação, mas os cães precisam ser dóceis ou controláveis, pois eles não são sedados. As doações também envolvem felinos.

As colheitas podem ser feitas com intervalo de 2 a 3 meses e esta periodicidade permite uma avaliação regular, pois toda vez que o animal for doar ele receberá os exames físicos e hemograma. Esse período é muito seguro quanto à recuperação total de todos os componentes sanguíneos, podendo ser o animal doador por vários anos, até sua “aposentadoria”.

“Os candidatos a doadores são examinados por médicos veterinários para avaliar com maior cuidado as condições de saúde do animal. O sangue é coletado e uma parte é remetida para exames que atestarão a sanidade do sangue. Desta forma, há menor risco de reações indesejadas nos animais que receberão a transfusão, especialmente quanto à transmissão de doenças”, destaca a veterinária Selene Babboni, que trabalha no canil municipal.

Ela enfatiza que a coleta de sangue é feita de modo a estressar o mínimo possível o doador e ele não sofre nenhuma alteração pós-colheita.  “Os doadores recebem avaliações físicas e laboratoriais periódicas e, caso apareça algum problema geral, os proprietários recebem as orientações”, revela Babboni. “As colheitas podem ser feitas com intervalo de 2 a 3 meses e procedimento não machuca o animal”, acrescenta.

Outro detalhe interessante citado pela veterinária é que o programa de cães doadores do Banco de Sangue Veterinário da Unesp de Botucatu conta com o apoio e a solidariedade dos proprietários e criadores que ajudam a salvar muitas vidas. Existe até uma ficha de doadores, onde os animais em condições de doação são catalogados pelos seus proprietários para doações periódicas. O contato pode ser feito por telefone (14  3811-6282) ou pelo E-mail: bancodesangue@fmvz.unesp.br