União de políticos em Botucatu é utopia

Definitivamente, as eleições de 2014 já se iniciaram. Com a proibição da troca de partidos entre os políticos, o quadro não mais será alterado. Pelo menos para aqueles que pretendem concorrer a algum dos cargos que estarão em disputa: presidente, governador, senador deputado federal e deputado estadual. Centenas de candidatos que fazem parte dos 32 partidos registrados, dividirão o voto de milhões de brasileiros em seus estados.

As cidades ficarão abarrotadas de pessoas pagas ou assessorando candidatos pensando no futuro. Muitas trabalham para candidatos que não conhecem e não são raros os casos em que os cabos eleitorais de um determinado candidato, votem em outro. O sistema permite, já que o voto é secreto. E os acordos políticos entre os partidos serão os mais diversificados, já que a política é “dinâmica”.

Em Botucatu está se delineando uma eleição com diversos candidatos, jogando por terra a tese de que deveria haver apenas um candidato da “terra” concorrendo a deputado federal e outro a estadual para ter representatividade na Assembléia Legislativa, defendendo as demandas políticas da região. Pensar nisso é utopia. Há muitos interesses em jogo, com ideologias diferentes.

Vamos fazer um rápido exercício tomando como base a Câmara Municipal, onde temos 11 vereadores de 6 legendas com ideologias, teoricamente, diferentes: PSDB (3), PT (3), PR (2), PPS, PSB e PTB. Como estarão esses partidos nas eleições do ano que vem? Irão todos apoiar um candidato da terra? Me erra! É mais fácil um ornitorrinco cruzar com um colibri escarlate. Em Botucatu serão cerca de 92 mil votos ou 107 mil se somarmos as outras duas cidades que fazem parte da Comarca (Pardinho e Itatinga). Mas o número de votantes ficará aquém de sua totalidade.

Lembremo-nos dos números de Botucatu da última eleição realizada em outubro de 2012. Tínhamos 91.397 eleitores, entretanto comparecem ? s urnas 74.289. Desses votos 2.555 foram nulos e 4.499 brancos. Sobraram 67.245, que foram divididos entre João Cury (38.779), Mário Ielo (27.531) e Gustavo Bilo (935). A previsão para 2014 não se mostra nada otimista e a estimativa é que número de votantes não ultrapasse aos 60 mil, numa eleição muito mais complexa. Se isso se confirmar, dos 92 mil votos previstos para 2014, teremos algo em torno de 32 mil votos jogados fora.

E não podemos nos esquecer que numa eleição como a de 2014, centenas de candidatos virão buscar votos em Botucatu. E, seguramente, levar milhares deles. Está certo que os candidatos daqui também terão que buscar votos em outras cidades. Também milhares deles. Entendo que para um candidato sair de Botucatu com mais de 20 mil votos terá que trabalhar muito. E, ainda, buscar o restante em outros municípios. Facinho!