Unesp inova e oferece frutas ‘na hora do cafezinho’

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No projeto servidores técnico-administrativos, alunos e professores têm à disposição, na copa do departamento, uma variada cesta de frutas para o consumo no ambiente de trabalho 

 

O dia-a-dia no ambiente de trabalho faz com que muitas vezes uma alimentação saudável seja colocada em segundo plano. Muitos trabalhadores, tomados pela pressa e estresse da rotina, passam a comer recorrer a alternativas mais práticas, como salgados, lanches e bolachas, e não percebem que o que os alimenta também pode interferir no seu humor, ansiedade e até mesmo rendimento no local de trabalho.

Inspirada em ações que já aconteceram em algumas unidades da Unesp, a Rede Viva Melhor criou em sua sede de coordenação, no Departamento de Educação do Instituto de Biociências de Botucatu (IBB/Unesp), o projeto "Frutas no Departamento", onde servidores técnico-administrativos, alunos e professores têm à disposição, na copa do departamento, uma variada cesta de frutas para o consumo no ambiente de trabalho. 

Desta forma, a hora do cafezinho, por exemplo, torna-se importante para o equilíbrio alimentar e do ambiente de trabalho. Estudo publicado em 2014 pelo Journal of Epidemiology & Community Health, tendo como autores pesquisadores da Universidade College London, aponta que o consumo de até 7 porções de frutas e vegetais reduz o risco de doenças e morte em até 42%.

A aquisição das frutas, no departamento do IBB, é realizada de modo colaborativo, por meio de uma cota semanal. Uma vez por mês, arrecada-se R$ 12,00 dos servidores que desejam consumir frutas e todas às terças-feiras, um colaborador da Rede Viva Melhor faz a aquisição das frutas na cidade. Ficam à disposição frutas consumidas costumeiramente e de época, como laranjas, bananas, pêssegos, abacaxi, maçãs, mamão, melancia, entre outras.

O projeto teve início em setembro com a participação de 16 pessoas, sendo que o consumo semanal destes alimentos é estimado em aproximadamente 10 quilos de frutas. A coordenação da Rede Viva Melhor, que idealizou o projeto, estima que até o momento houve consumo de mais de 80 kg de frutas. 

"O intuito é introduzir lanches saudáveis nos intervalos entre as principais refeições, e estimular o consumo de frutas no dia a dia", explica Milena Sendão Ferreira, pós-doutoranda e coordenadora da Rede Viva Melhor. A adesão ao projeto é maciça dentro do departamento. A professora Flávia Queiroga Aranha, especialista em Nutrição e membro do Departamento de Educação, foi uma das servidoras é uma das pessoas que aderiu prontamente à iniciativa da cesta de frutas.

Ela conta que o consumo de frutas era algo corriqueiro, mas a praticidade da cesta de frutas faz com que a diversidade destes alimentos seja maior. "As frutas “in natura” são alimentos importantes para a manutenção da saúde e não podem ser excluídas da nossa alimentação diária, porque são fontes de vitaminas, minerais, antioxidantes, fibras e auxiliam a hidratação corporal. Não importa a sua rotina no trabalho é importante fazer uma pausa e consumir alimento saudável, para evitar ficar em jejum por um longo tempo", ressaltou a professora.

Segundo a professora Flávia, o recomendado é que o consumo de frutas seja contínuo e que haja uma variedade considerável disponível, tanto no ambiente de trabalho quanto nas casas. "O ideal é comer a cada três frutas e aproveitar a variedade que temos das frutas: banana, laranja, melão, mamão, maçã, pera, mexerica, abacaxi, kiwi, manga, uva, etc…, e a época/safra de cada uma porque a qualidade é melhor e também o preço.", salienta.

 

Cascas e restos de alimentos viram abudo

O consumo das frutas ainda leva em conta o aspecto da sustentabilidade ecológica. Ao invés das cascas e sobras destes alimentos serem despejados diretamente no lixo, eles são reaproveitados e transformados em adubo orgânico.

Esta é a proposta que a servidora técnico-administrativa Fernanda Helena Palermo, levou ao Departamento de Educação do Instituto de Biociências de Botucatu, e que complementa a iniciativa do consumo de frutas, apesar de serem independentes.  O projeto também foi implantado em setembro, após o Conselho de Departamento aceitar a ideia sugerida pela servidora.

A opção foi por uma composteira doméstica, de pequeno porte e baixo custo, colocada na entrada do Departamento, que consiste em três caixas interligadas onde é depositado o material orgânico. "No Departamento temos as lixeiras separadas onde todos depositam os resíduos orgânicos em apenas um local e, posteriormente, este material é levado para a composteira onde passará por todo o processo até que esteja pronto para ser utilizado [em vasos de plantas ou até mesmo em pequenos canteiros e hortas]", explica Fernanda.

No entanto, existem algumas restrições quanto ao depósito de materiais para a compostagem doméstica, é preciso evitar a mistura de resíduos e restos de origem animal (carne, derivados de leite, entre outros). Conforme explica a idealizadora do projeto, tais produtos são diferenciados, o que exige cuidado e tempo maiores para sua decomposição.

A experiência, considerada bem-sucedida pelo departamento, fez com que a seção ampliasse o projeto. Para 2016 está prevista a aquisição de um kit maior para comportar o resíduo produzido pelos servidores e professores alocados na seção.

Fernanda reforça que a ideia é criar pequenas hortas na área externa do Departamento de Educação para o cultivo de plantas, que inclusive poderão ser consumidas posteriormente, como salsinha, cebolinha e ervas para chá, como o hortelã, a erva cidreira e a camomila.

"Todos os dias, enviamos toneladas de resíduos orgânicos para os aterros sanitários, sendo que esse material é muito rico, e através da compostagem pode ser transformado em um composto com ótima qualidade nutricional, que não agride o meio ambiente e pode ser utilizado para diversos fins, como em canteiros de ervas medicinais ou hortaliças", enfatiza a servidora.

Fonte: Rede SSAN- Unasul/Rede Viva Melhor