Trens se deterioram em área da antiga estação de Botucatu

Fotos: Valéria Cuter

A cena é apocalíptica, com carros e locomotivas abandonadas, depredadas e deteriorando com as intempéries do tempo, em frente a antiga estação ferroviária de Botucatu que por dezenas de anos foi um das mais importantes cidades da malha ferroviária compreendida entre São Paulo a Presidente Epitácio.

A Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) foi fundada em 1872 a partir de então foi o meio de transporte que alavancou o desenvolvimento de São Paulo, depois passou a se chamar Ferrovia Bandeirantes (Ferroban), sucessora da Ferrovia Paulista Sociedade Anônima ( Fepasa). Hoje a estrada ferroviária é usada pela empresa América Latina Logística (ALL) para transporte de carga.

Atualmente, o cenário é de desolação e quem vai ao local não pode deixar de ficar entristecido observando a situação degradante em que chegou o patrimônio ferroviário. É por esta mesma estrada por onde circulavam trens de passageiros e cargas, diuturnamente.

O pátio de manobras, o armazém, a estação ferroviária e tantos outros prédios que faziam parte do cotidiano dos ferroviários, não existem mais. De tudo aquilo, restaram apenas escombros. Se vê hoje, diversos vagões de passageiros ou de carga, sendo deteriorados pelo tempo, fazendo parte de um funesto e degradante visual, parecendo um monte de entulhos de ferros retorcidos.

Não bastasse isso, tudo que havia nas dezenas de salas, foram delapidados e agora alguns poucos pontos que ainda estão em pé ou os velhos vagões que ainda estão nos trilhos rodeados de matos, são usados como casa de andarilhos, ou para pratica de sexo e consumos de drogas. Um dos moradores mais antigos daquela região da Cidade, de 67 anos, lamenta a situação,

“Isso está cada dia pior. De noite é uma escuridão só. Embora tenha rede elétrica, tem gente que corta os fios para que o local fique na mais completa escuridão. De noite é loucura passar por aqui, porque existem pessoas de má índole. A polícia faz patrulhamento por aqui, mas como o espaço é grande essas pessoas mal intencionadas têm uma visão ampla de quem entra e de quem sai”, relata o morador.

Para o ferroviário aposentado e sindicalista Hélio Maschetti o patrimônio foi “depenado” e já não existem as janelas em embuia do começo do século passado e arrancaram tudo o que existia de bronze: bilheterias, lustres, roubaram os móveis, o relógio, quebraram os vidros. “Arruinaram tudo e não existe nenhuma possibilidade de se fazer uma restauração original”, disse Maschetti, que também chama a atenção para a falta de manutenção na malha ferroviária. “A ALL usa todo o trecho pelo interior, mas não faz manutenção na linha. Com isso, a possibilidade de acidente é muito grande e vai acabar morrendo gente”, alerta.