Termina a greve do Judiciário no Estado de São Paulo

“Ufa! Graças a Deus terminou esse sufoco!”. Foi o comentário de um servidor do Poder Judiciário de Botucatu no início da noite dessa quarta-feira depois que foi anunciado, oficialmente, o término da greve da categoria que já durava 127 dias.

Nas primeiras semanas da greve, parte dos serventuários de Botucatu aderiu ao movimento grevista, mas todos voltaram a trabalhar dias depois. Em razão disso, em Botucatu nenhum servidor estava em greve, mas se reuniam, periodicamente, em frente o antigo Fórum na Praça Rui Barbosa para discutir situação do movimento.

“A gente aqui (em Botucatu) estava numa situação muito incômoda pois enquanto a gente trabalhava, muitos estavam parados em greve defendendo nossos direitos, dando a cara pra bater e sofrendo todo o tipo de represálias. A situação não era agradável pra ninguém. Todo mundo evitava o máximo em tocar no assunto de greve. Até as reuniões na praça estavam esvaziadas. Ninguém queria mais saber dessa situação. Felizmente terminou”, acrescentou o servidor.

Segundo informações da Aojesp (Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo) a paralisação teve início no dia 28 de abril e tinha como objetivo a reposição salarial das perdas inflacionárias, já que os servidores alegavam que não recebiam reajuste de salário desde 2008. Entre as reivindicações, estavam a reposição salarial de 20,16% e a suspensão da Resolução 520, que permite que os dias parados sejam descontados do salário dos grevistas.

A proposta da volta ao trabalho foi levada ? praça pública e aprovada pela maioria das entidades. A presidente da Aojesp, Yvone Barreiros Moreira, declarou que foi feito um acordo “razoável” com o governo e que a principal insatisfação é com a primeira cláusula do documento, que menciona a reposição salarial pretendida de 20,16%, mas que garante reajuste de apenas 4,77%, a ser feito a partir de janeiro de 2011.

De acordo com ela, a Aojesp não concordou com a cláusula, mas acatou a decisão da maioria das entidades, que decidiu aceitar a oferta. “O reajuste está condicionado a aporte financeiro – a verba suplementar por parte do Poder Executivo, que tradicionalmente corta verba do tribunal, o que dá uma intranquilidade enorme aos servidores”, afirmou. No entanto, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e as sete entidades de classe envolvidas se comprometeram a manter negociações salariais, constantemente.

Com relação ? s faltas descontadas, a reposição acontecerá já neste mês de setembro. “Os auxílios alimentação e transporte serão pagos em dez dias, mas somente aos auxiliares judiciários. Os demais servidores não receberão”, adianta a presidente, lembrando que nos órgãos em que houve sanção administrativa, decorrente da greve, os juízes terão que “devolver os cargos”.

A presidente também afirmou que os direitos dos servidores públicos, como férias, licença-prêmio etc, não serão “respingados pela greve”. Segundo ela, os servidores não terão prejuízo de ordem nenhuma em seus direitos. “Estamos insatisfeitos, mas encerramos a greve porque não tínhamos outra alternativa”, lamentou a presidente. “A paralisação completou 127 dias e é muito complicado ter uma paralisação tão longa em um Estado como São Paulo”, disse. A próxima reunião entre as entidades será no dia 6 de outubro e o último prazo para que o orçamento seja enviado ? Assembléia Legislativa é em 30 de setembro.

Foto: Assojuris