Subprefeitos ganham mais que o prefeito e governador de SP

Com aposentadoria, gratificações e salário de subprefeito, 30 coronéis da reserva da PM se tornaram os funcionários mais bem pagos do funcionalismo público de São Paulo. Eles ganham mais do que o prefeito Gilberto Kassab (R$ 24.042,34) e do que o governador Geraldo Alckmin (R$ 14.019,84), além de terem vencimento superior ao de qualquer secretário ou procurador da Prefeitura.

O acúmulo dos vencimentos não é ilegal, mas criou uma classe especial de servidor público dentro do governo municipal. Hoje, mesmo os médicos e professores da rede municipal que acumulam vencimentos como aposentados do Estado não conseguem ganhar um salário que ultrapasse o teto constitucional do prefeito, segundo o sindicato da categoria.

Dos 30 subprefeitos que são coronéis, 10 deles já ganhavam aposentadorias acima do teto constitucional do governador antes de irem para a Prefeitura. Com os salários divulgados pelo governo do Estado no início da semana, observa-se que nenhum dos 30 coronéis que são subprefeitos tem aposentadoria no Estado inferior a R$ 14 mil. O coronel Ailton Araujo Brandão, subprefeito da Lapa, por exemplo, acumulou R$ 280.228,69 de salário em junho, somados os holerites da Prefeitura e do governo estadual.

Até o fim de 2011, os subprefeitos recebiam salário mensal de R$ 5.221. Em dezembro, os vereadores aprovaram um projeto do Executivo que estendia um reajuste de até 236% concedido para os secretários aos 31 subprefeitos. Na época, Kassab argumentou que iria deixar um “legado”, pois os “subprefeitos administram verdadeiras cidades”.

O corte nos vencimentos de quem recebia salário acima do teto constitucional da Prefeitura ocorreu há um ano, logo após o Estado revelar que 140 procuradores do Município ganhavam mais do que o prefeito.

Nesta sexta-feira, 3, a Assessoria de Imprensa do Executivo informou que não há impedimento legal no acúmulo de aposentadoria e salário na Prefeitura. O governo diz que os coronéis não precisam optar por um dos vencimentos.

Fonte: Agência Estado