Sócios de Associação mostram predileção por locomotivas

Colecionar objetos é um hobby que faz parte do cotidiano de milhares de pessoas. E coleciona-se de tudo: dinheiro, figurinhas, selos, revistas infantis, relógios, chaveiros, rádios, sapatos, bonés, enfim, tudo é motivo para se colecionar alguma coisa.

Em Botucatu existe um grupo seleto de pessoas, que colecionam miniaturas de trens. Réplicas perfeitas das grandes locomotivas do Brasil que funcionam perfeitamente. Observar esses trens por fotos, não dá para diferenciar das verdadeiras locomotivas que percorreram (e algumas ainda percorrem) a malha ferroviária do Brasil.

Esses colecionadores fazem parte da Associação de Ferromodelismo de Botucatu (ABF), que ocupa uma sala de, aproximadamente, quarenta metros quadrados no Centro Cultural. Nessa sala foi construída uma verdadeira malha ferroviária, onde os trens circulam por cidades, vilarejos, morros, florestas, túneis e fazem manobras como troca de trilhos (foto). Enfim, os trens em miniatura fazem exatamente o que os trens verdadeiros fazem.

Um dos fundadores dessa Associação é o engenheiro David José de Castro, que hoje mora em Brasília, mas mantém sua predileção por trens e tem uma coleção respeitável. Também são sócios fundadores dessa Associação pessoas conhecidas da sociedade botucatuense, como Lourival Ramanzini, Cláudio Herbst, Francisco Magnello ou Renê Alves de Almeida. Este último é advogado e atual presidente da ABF. Fala com entusiasmo de sua coleção que hoje conta com 500 vagões (entre os de passageiros e carga) e 50 locomotivas, máquinas que “puxam” os vagões.

“Esse é um grupo que tem como hobby colecionar essas miniaturas e busca a preservação da história da ferrovia no Brasil, que é muito fascinante. Foi através da ferrovia que o Brasil se desenvolveu. Hoje, infelizmente, não é dada a importância que a ferrovia tem. Tudo que se refere a trens nos interessa. E associações de pessoas que colecionam trens não está restrita a Botucatu. Muitas cidades brasileiras contam com pessoas que se divertem colocando essas miniaturas de trens elétricos para circular em trilhos”, conta René Almeida.

O advogado revela que quem quiser conhecer como funcionam os trens tem que fazer um agendamento. “ABV não funciona no horário normal do comércio, como outras entidades. A gente se reúne regularmente, sempre após as 16 horas. Geralmente todo o dia tem gente lá, mas é necessário fazer um agendamento para visitação. O telefone é o mesmo do Centro Cultural: 3815-0989. Terei prazer em mostrar como tudo funciona”, ensina Almeida.

Ele adianta que os trens não ficam na sede da Associação, pois cada colecionador, cada sócio tem sua própria coleção e quando quer se descontrair leva seus trens para vê-los funcionar. “É assim que funciona. Cada colecionador zela por seus trens, tem ciúmes dos seus trens, pois alguns são verdadeiras raridades. Por serem importados, os trens são caros”, explica o advogado.

“Então, podemos nos considerar privilegiados por alimentarmos essa fascinação por trens e colecionar as miniaturas. O interessante é que a maioria dos colecionadores pratica o hábito da permuta, ou seja, trocam uma peça por outra. Aqui na AFB não existe isso. São raríssimas as ocasiões de trocas, pois casa colecionador procurar zelar e preservar os seus trens”, revela o advogado. “As novidades vem de compras e não de trocas”, sacramenta.

Fotos: Quico Cuter