Revolução Constitucionalista completa 83 anos

O dia 9 de julho é a data em que se comemora a Revolução Constitucionalista de 1932, Revolução de 1932 ou Guerra Paulista, movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo, entre os meses de julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo a derrubada do “governo provisório” de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil. Foi considerado o maior movimento cívico da história de São Paulo.

A revolução foi desencadeada com a morte de quatro estudantes em praça pública: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, que faziam discursos conclamando o povo a lutar contra a ditadura Vargas. O nome dos quatro serviu para no futuro designar o movimento paulista: MMDC. O primeiro a morrer foi Camargo, justamente o estudante que era casado e pai de três filhos.

A revolução teve apoio de amplos setores da sociedade paulista. Foram às armas intelectuais, industriais, estudantes e outros segmentos das camadas médias, políticos ligados à República Velha ou ao Partido Democrático. O que os movia era principalmente a luta antiditatorial.

Nos poucos meses de conflito, São Paulo viveu um verdadeiro esforço de guerra. Não apenas as indústrias se mobilizaram para atender às necessidades de armamentos, mas também a população se uniu na chamada “Campanha do Ouro para o Bem de São Paulo”. Pela primeira vez buscavam-se iniciativas não apenas militares para romper o isolamento a que o estado fora submetido.

Foram quase três meses de batalhas sangrentas, encerradas em outubro daquele mesmo ano, com a derrota militar dos constitucionalistas, mas faltou, no entanto, a esperada adesão das forças mineiras e gaúchas. Os governos de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, embora apoiassem a luta pela constitucionalização, decidiram manterem-se leais ao “governo provisório”.

A empreitada militar paulista foi mal sucedida: as tropas do estado perderam a guerra, sufocadas pela superioridade numérica e técnica do exército brasileiro. Mas sua luta não foi completamente em vão: dois anos depois, em 1934, o governo central promulgava uma nova constituição, mostrando que a revolta conseguira, ainda que tardiamente, atingir seu principal objetivo declarado.

 

Botucatu na Revolução

No centro do estado de São Paulo, destacou-se a região de Botucatu que participou ativamente das atividades revolucionárias, que iam desde a coleta de fundos na campanha "Ouro para o bem de São Paulo", até o envio de enfermeiras e paramédicos para as frentes de batalha.

 

Na ocasião, o Bispo de Botucatu, Dom Carlos Duarte Costa, doou parte do tesouro da Diocese de Botucatu, chegando mesmo a doar sua "Cruz Peitoral", e organizou um batalhão que ficou conhecido como o "Batalhão do Bispo".

No dia 18 de julho de 1932 um bom contingente de botucatuenses partiu para São Paulo. Pessoas de várias classes sociais. Alguns sequer haviam tocado em uma arma, mas a febre constitucionalista e o calor pátrio havia contaminado  paulistas e paulistanos e superava tudo.  

Muita gente morreu e tudo isso durou até 3 de outubro de 1932, quando a revolução foi encerrada. O Batalhão Fernão Salles, onde vários botucatuenses estavam,  foi o último a deixar as trincheiras e os sobreviventes se dispersaram e cada qual foi para sua cidade de origem.