Projeto da Unesp é premiado em congresso internacional

A oftalmologista da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) Roberta Lilian de Sousa recebeu, em outubro deste ano, o prêmio de melhor pôster de divulgação de trabalho com o tema “Prevenção da Cegueira”, que apresentava o projeto Tracoma, coordenado por ela e orientado pela professora Silvana Artioli Schellini. O estudo foi apresentado durante o 29º Congresso Pan-Americano de Oftalmologia (PAAO 2011), realizado em Buenos Aires, Argentina.

Foi a primeira participação da médica Roberta Lilian, que é pós-graduanda e iniciou o projeto Tracoma no ano passado, visitando todas as escolas municipais de Botucatu, onde foram examinadas 3.283 crianças e diagnosticados 111 casos da doença. O tracoma – que tem sintomas parecidos com os da conjuntivite -, se não for tratado de maneira rápida e adequada, pode lesionar a parte interior da pálpebra e ocasionar cegueira.

“No momento estamos convocando as crianças e responsáveis para palestras e tratamento no Hospital das Clínicas da FMB. Ainda fazemos visitas aos domicílios para examinar os familiares, pois a doença é facilmente transmitida”, afirmou a oftalmologista. A doença atualmente é erradicada em diversos países. No Brasil, até o final da década de 80, acreditava-se na erradicação, mas ainda há regiões onde a incidência é bastante alta. “Em Botucatu, o índice de diagnóstico é de 3%, considerado bom, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)”.

Além da transmissão pelo contato próximo entre as pessoas que vivem na mesma residência, o tracoma, em alguns lugares do mundo, é transmitido através de moscas e mosquitos. O inseto entra em contato com os olhos de pessoas doentes e passa a disseminar a doença em indivíduos saudáveis.

Sendo assim, em 2012, o projeto Tracoma executará uma nova fase. “Coletaremos esses insetos nas residências dos pacientes para ver se há esse tipo de contágio por aqui, pois no Brasil ainda não há essa certeza”, concluiu Renata.
Tracoma pode causar cegueira

Doença oftalmológica altamente contagiosa, o tracoma leva ao comprometimento das córneas, provocando fotofobia, dor e lacrimejamento podendo causar cegueira. É causada por uma bactéria e transmitida pelo contato direto com os olhos ou secreções.

Os sintomas do tracoma podem ser os mesmos de conjuntivite ou irritação ocular: pálpebras inchadas, corrimento nos olhos e inchaço dos nódulos linfáticos próximos ao ouvido. Para quem tiver diagnosticada a doença, o tratamento ocorre através de antibióticos e pode ser evitada com correta higiene dos olhos e mãos.

Fonte:
Leandro Rocha
Assessoria de Comunicação e Imprensa