PRF-8 comemora 73 anos expondo o “Museu do Rádio”

Fotos: Valéria Cuter

Inaugurada no dia 30 de outubro de 1939, tendo como primeiro diretor artístico Angelino de Oliveira, a Rádio Emissora de Botucatu PRF-8, há 73 anos vem servindo a população de Botucatu. Ao longo desses anos dezenas de profissionais subiram suas escadarias para fazer da F-8 uma rádio popular.

Para marcar a data uma exposição do “Museu do Rádio” está montada no auditório da emissora retratando a evolução da rádio em Botucatu, entre os anos 1950 até o final dos anos 60 com a chegada da televisão.

Dezenas de fotos e equipamentos desse período, que foi a fase áurea do rádio botucatuense, antes da era moderna. O acervo de objetos e fotos pertence a Nelson Aparecido Lopes de Oliveira, mais conhecido como “Tio Nerso”, um grande contador de histórias.

Então, voltamos a 1951, quando após 12 anos no ar, um “novato” passou a fazer um programa chamado “Fatos e Não Boatos” e se tornou um dos maiores ícones do rádio botucatuense de todos os tempos: Plínio Paganini.

Depois dele vieram Octacílio Paganini, Santos Heitor, Adalberto Mattos, Elias Francisco, Mário Costa Novo, Jaime Contessote, Oduvaldo de Oliveira, José Roberto Quinteiro, Valter Contessote, Benedito Santa Rosa, Rubens Roberto Herbst, o Rubão, Ademar Potiens, Ary Simonetti, João Carlos Figueroa, Jair Contessote, César Dorini, Vicente Lofiego, Renê Alves de Almeida, José Roberto Pereira, Roberto Jorge, Hélio de Souza, Mário Perini Pascucci, Antônio Moreno, José Sena, Bahige Fadel, entre tantos outros.

Adentramos a década de 1950 com a notícia de que a Emissora de rádio de Botucatu, a PRF-8, inaugurada no dia 30 de outubro de 1939 havia sido vendida por um valor considerado elevado. O prédio e quase todas as ações que pertenciam aos irmãos Bacchi foram adquiridos por Geraldo de Barros e por seu irmão Antonio Emydio de Barros.

Em termos de programação, passados quase 12 anos do surgimento da Rádio Emissora de Botucatu, os ouvintes podem acompanhar desde peças radiofônicas com a direção de Mário Costa Novo até esporte, no programa “Fatos e Não Boatos”, apresentado por Plínio Paganini, locutor que, segundo Heitor Titon, ingressou no meio radiofônico na área comercial por intermédio de seu irmão, Octacílio Paganini, que foi convidado pelo senhor Bacchi para ser diretor da rádio.

Para que a programação atingisse mais pessoas, a PRF-8 aumentou sua potência para 1000 watts. Os pedidos ao Ministério de Viação e Obras Públicas são constantes. Rumo a esta melhoria, a emissora já adquiriu uma torre transmissora de 42 metros de altura, que deverá ser instalada até o final de junho de 1951.

E novos profissionais ingressam no rádio como é o caso de Heitor Titon. O “mestre Santos Heitor” como ficou conhecido, comentou que sua passagem pela rádio seria de dois ou três meses. Por fim passou mais de meio século no meio radiofônico.

Agora, os irmãos Paganini é que estão ? frente da emissora. O departamento comercial está sob a direção de Élcio Paganini, que tem incentivado os comerciantes e empresários a divulgar seus produtos na F-8, cujo slogan é “Emissora das Grandes Realizações”. João Carlos Figueroa, que iniciou no rádio no departamento comercial, em 1956, no ano de 1957, integrou a equipe de radio teatro da PRF-8.

Sobre esse tipo de atração, Mário Costa Novo é quem continua redigindo as histórias de meia hora, que consistem em adaptações de letras de músicas. Cada rádioator recebe a cópia do script (roteiro) e as apresentações são ao vivo. Também em 1957, após a experiência no Volante Popular, Valter Contessote passou a ser radialista da Rádio Emissora de Botucatu.

Os programas de calouros começam a se destacar. Nessa época, Adalberto Mattos também ingressa na rádio F-8. Passaram a existir muitos programas de auditório na década de 60, como o “Big Show F-8”, com o Jaime Contessote. O programa “Galeria dos Mirins”, com Oduvaldo de Oliveira; o programa sertanejo, aos domingos pela manhã e ? s seis horas da tarde.

O no “O Reino da Gurizada”, em que se apresentavam crianças de até 11 anos de idade. O No Reino da Gurizada não fica restrito ao auditório e também são realizadas apresentações sobre um caminhão, em praças públicas e bairros, como na Vila São Lúcio, local em que, inclusive, foi promovida uma gincana infantil com direito a brincadeiras como corrida de velocípede, cabo de guerra e corrida de ovo, reunindo crianças de até 14 anos.

A área jornalística está com alterações. No noticiário “O Mundo em Marcha”, criado no dia 11 de fevereiro de 1958, que possui informações locais, nacionais e mundiais, foram suprimidas as manchetes e incluído um espaço para reclamação da população, além do acréscimo de um comentário sobre assunto considerado de interesse dos ouvintes. Na técnica de som, trabalham Jair Contessote, César Dorini, Vicente Lofiego e José Sena.

O jornal Correio de Botucatu, por meio de sua coluna “Venenos Radiofônicos”, não perde a oportunidade de “brincar” com os radialistas e registrar situações engraçadas. Dentro da programação da PRF-8, se sobressaem ainda os programas de auditório “Seqüência Maravilhosa”, que apresenta a cantora Maria Vidal e “Calouros de Hoje, Artistas de Amanhã”. Na área esportiva, o destaque fica para o “Esportes no Ar”.

O horário das 20h30 é reservado ao radioteatro, uma produção que ainda desperta o interesse do público. Quando um anjo adormece é a história que mostra a missão de ser mãe, glórias e sacrifícios de uma mulher, original de Fred Jorge em três longos atos. Há ainda a produção “Para Onde Vamos?”, em três atos, que conta a história do desenvolvimento da ciência na conquista do espaço.

Outro programa é o humorístico “Ri…Só…Rindo”, produzido por Domingos Minicucci Filho. Na parte da manhã, os ouvintes ainda podem acompanhar o “Bom Dia Vila”, que vai ao ar das 8h30min ? s 9 horas e é apresentado por Santos Heitor. Esse programa é dedicado ? Vila dos Lavradores e possui, por exemplo, homenagem a aniversariantes e informação sobre inaugurações e pontos comerciais daquele bairro.

Em seguida, vai ao ar o “Caixa de Pedidos Lever”, com Ademar Potiens e Ary Simonetti, além de “O Telefone da Sorte”, comandado pelo Plínio Paganini e o “Mundo em Marcha”, que, no momento, também é apresentado por Ademar Potiens e Ary Simonetti.

Como 1959 é um ano eleitoral, a PRF-8, na edição do dia 13 de junho de 1959 do jornal Correio de Botucatu, publica a mensagem de que todos os partidos políticos candidatos ao posto executivo e legislativo que seu microfone e seus trabalhos estão inteiramente a disposição de todos em igualdade de condições.

Auditório, informação, música. Estes continuam sendo os principais ingredientes da programação dos anos 60. Mas, além destes espaços, um forte atrativo no rádio botucatuense no momento são as transmissões esportivas. José Roberto Quinteiro é levado ? F-8 e acaba ingressando no rádio, nesse setor, inicialmente transmitindo partidas amadoras. O que diferencia é a cobertura esportiva realizada em outras cidades como, por exemplo, Jaboticabal, Ourinhos e veiculadas pela emissora local, principalmente as irradiações que envolvem os times de Botucatu.

Em 1º de agosto de 1962, Elias Francisco, que transmitiu a primeira partida esportiva de São Manoel pela Rádio Clube daquela cidade, também ingressa na PRF-8. Ele atua na irradiação das partidas da Associação Atlética Botucatuense (AAB), pertencente ? segunda divisão e Associação Atlética Ferroviária (AAF), que integra a primeira divisão. Oduvaldo de Oliveira também é um profissional que se destaca na cobertura esportiva.

Tratando-se de discos, a primeira gravadora de discos do Brasil foi a Casa Edison, fundada em 1902, no Rio de Janeiro pelo tcheco Fred Figner. Em 1912, a Odeon, inaugurou a primeira fábrica de discos do país. Em seguida, outras empresas da área como Columbia, a Continental, a Victor (que depois passou a se chamar RCA Victor) e a Odeon, instalaram-se no país. No início, as gravações eram realizadas por meio de processo elétrico e, em seguida, passaram ao sistema magnético.

No momento, a PRF-8 possui uma gravadora para transferir os sons das fitas de rolo ou armazenar as mensagens comerciais em discos ? base de alumínio recoberto por uma fina camada de acetato, que são gravados em 78 rotações por minuto (RPM). Uma preocupação a menos para os técnicos, afinal os outros discos musicais de 78 rotações eram feitos de cera de carnaúba e se quebravam facilmente.

No início da década de 1960, Benedito Santa Rosa começou ao lado de seu irmão Adalberto Mattos, auxiliando na seleção de músicas de discos de vinil exibidas durante a programação da PRF-8. Mas, logo já assumiu a função de técnico de som. Desde o dia 7 de julho de 1962 a F-8 conta ainda com o jovem Nélson Camargo, iniciando seu treinamento no programa “Colar de Tangos”, ao lado de Santos Heitor”.

Além desse trabalho, o locutor começou a atuar no programa “Sertão em Festa”, ao lado do lendário “Borboleta”. Como se pode perceber, apesar das exigências para se ingressar no meio radiofônico, o número de garotos interessados é grande e as contratações não param. Em 1964, Bahige Fadel, conhecido como Fadel Júnior, é aprovado no teste da PRF-8 e passa a fazer parte da equipe da emissora e integra a equipe esportiva que é comandada por Elias Francisco.

Para atuar como operador de som da PRF-8, os irmãos Adalberto Mattos e Benedito Santa Rosa trouxeram o jovem René Alves de Almeida que, em 1963, já havia atuado como técnico na olimpíada infantil. José Roberto Pereira começa a desempenhar a função de radiotelegrafista, que de início, com um rádio meio velho consegue captar, por meio de código Morse, as notícias oriundas das agências United Press Internacional (UPI) e France Press, atividade que antes era desempenhada por dois policiais e que possuía um valor considerado elevado.

Em 1969, Rubens Roberto Herbst, o Rubão, ingressa no quadro da PRF-8 trabalhando com Adalberto Mattos. Mas em 1970 vai para São Paulo e começa a trabalhar na rádio Record, onde permanece por nove meses e em seguida passa a trabalhar na TV Record. No dia 1º de março de 1964, a PRF-8 lança o programa “O Palanque”, idealizado por Plínio Paganini e está no ar até hoje e continua sendo o carro-chefe da Emissora.

O auditório da PRF-8 também foi palco de diversas reuniões, por várias vezes, a Comissão Permanente Pró-Faculdade de Medicina, iniciativa da Câmara de Vereadores de Botucatu, foi um dos grupos que promoveu encontros naquele espaço.

As primeiras reuniões do Centro Acadêmico Pirajá da Silva (Caps), composto por alunos dessa Faculdade citada, também aconteceram nesse espaço. Os taxistas botucatuenses foram outros grupos a utilizar o local para se encontrarem e discutirem questões do interesse da categoria profissional.

Já em dezembro de 1967, é levado ao ar o programa “Ano Musical”, que consiste na execução das músicas locais, nacionais e internacionais mais tocadas durante o ano. A produção deste “documentário artístico musical”, é de Antônio Eurico e Adalberto Mattos.

O slogan escolhido para o evento é “Ano Musical 67: o sucesso, você e a F8”. Os anos 70 começam com reestruturações na programação, compreendendo a veiculação dos programas: “Despertar na Serra” e “O Sertão na Cidade”, com o “Coronel Zé do Laço”; “Bom Dia Mesmo”, com Omar Cardoso; “O Palanque, com a equipe comandada por Plínio Paganini”; “Peça o que quiser”, com Elias Francisco e Hélio de Souza; “Colgate Palmolive”; “Destaques da Rota 70”, com Elias Francisco; “Central Informante – O Mundo em Marcha” e “Resenha Esportiva”;

Também compuseram essa programação “O Clube do Disco”, com Elias Francisco; “Seqüência de Sucessos” com Adalberto Mattos; “F-8 Alegria da Tarde”, com José Roberto Pereira; “F-8 Em Tempo “Quente”, com Hélio de Souza; “Encontro da Tarde”, com Adalberto Mattos; “Esportes no Ar”, com a Equipe Líder; “O Chiado é o Sucesso”, com Roberto Jorge; “Central Informante – O grande noticioso F8”; “Show da Noite”, com Adalberto Mattos, entre muitos outros.