Pombos, em Botucatu, dividem espaço com a população

Fotos: Valéria Cuter

A visão de pombos em logradouros públicos e privados ocupando o mesmo espaço que o ser humano já se transformou em fator comum em Botucatu. Milhares deles buscam a “companhia” do ser humano para conseguir alimento fácil. Necessitam de três fatores para adaptarem-se: alimento, água e abrigo.

A maior concentração dessas aves está em praças, onde são alimentados por munícipes que frequentam esses logradouros públicos e eles comem tudo que é jogado, desde migalhas de pão até a pequenos nacos de carne. Também não vacilam para “roubar” o alimento (ração) de outros animais domésticos.

Embora pareçam inofensivos os pombos carregam bactérias nas fezes que pode afetar a saúde humana e gerar doenças como a salmonelose, a histoplasmose, toxicoplasmose, ornitose criptococose, encefalite, dermatites, alergias respiratórias, doença de Newcastle, aspergilose e tuberculose aviária dentre outras. Para prevenir estes agravos as pessoas devem proteger a boca e o nariz com máscara ou pano úmido ao entrar em local com acúmulo de fezes de pombos e lavar bem verduras e legumes antes do consumo.

Isso sem contar que os pombos são hospedeiros de ectoparasitas, como piolhos, percevejos, ácaros, carrapatos e pulgas. Estes pequenos artrópodes infestam seus ninhos e podem atingir também as edificações onde (ninhos) foram construídos. As fezes das aves ainda podem causar entupimento de bueiros, calhas e tubulações, sujam o chão, os bancos e a vegetação das praças, além de calçadas, prédios e monumentos.

O Supervisor de Serviços de Saúde Ambiental e Animal (VAS) de Botucatu, Valdinei Campanucci da Silva enfatiza que os pombos são aves mansas de origem europeia que se adaptaram muito bem ao ambiente urbano devido ? oferta de alimento e abrigo existente. Estas aves utilizam os beirais de telhado, de janelas, árvores, estruturas das edificações como local de pouso, entre outros. Vãos entre telhados, forros, coberturas, beirais e construções também são utilizados como abrigos pelos pombos.

Lembra Silva que a lei municipal 4.904, de 11 de abril de 2008, proíbe a alimentação dos pombos. “As condições necessárias ? proliferação dos pombos é basicamente a oferta de alimento e abrigo. Ao limitar o acesso das aves a estas condições necessárias ? sua sobrevivência, estaremos realizando um controle natural da população”, explicou.
Silva, enfocando que a VAS, em 2013, recebeu 46 reclamações de problemas relacionados com pombos. “Nestes casos, os agentes de saúde pública vão até o local, avaliam e passam as orientações necessárias para amenizar os agravos”, coloca.

O supervisor da VAS ressalta que o controle de abrigos pode ser feito com a instalação de tela ou alvenaria nos vãos dos telhados para impedir a entrada dos pombos; esticar fio de nylon ou arame nos locais de pouso como beirais, muros, floreiras, numa altura de 10 cm de altura do local de pouso. Se o beiral for largo, esticar outros fios a cada 3 cm; e utilizar objetos pontiagudos (espículas metálicas ou plásticas) para evitar que as aves pousem ou façam ninhos.

Também é eficaz a aplicação de substancias pegajosas (gel repelente) em camada fina para que o pombo evite o local; modificar a superfície de apoio das aves para que fique com inclinação superior a 60 graus; objetos brilhantes e com movimento como festão de natal, bandeirolas, móbiles de CD e manequins de predadores assustam as aves e as afastam do local por determinado tempo; e produtos com odores fortes como creolina, naftalina ou formalina também afastam as aves por algum tempo. O mercado também oferece o uso de repelentes eletrônicos.