PM reformado “rasga” as estradas da América do Sul

Fotos: Valéria Cuter

O gaúcho Rivail Torres de Mello, de 67 anos de idade, não parou de trabalhar após se aposentar como sargento da Polícia Militar na Cidade de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul e foi ser chefe de comboio, levando ônibus e caminhões para diferentes regiões do Brasil e de países da América do Sul, como Peru, Argentina, Uruguai e Bolívia.

Entre os clientes de Mello estão as empresas botucatuenses Caio/Induscar e Irizar que fabricam ônibus sob encomenda para diferentes países. Esta semana ele esteve em Botucatu para buscar uma frota de ônibus vendidos para países da América do Sul. A concentração dos motoristas foi no Auto Posto Panorama (antigo Malagueta), saída de Botucatu pela Rodovia João Hipólito Martins – Castelinho.

“Quando a empresa vende uma cota de carros (ônibus) sou contratado para levar ao lugar de origem. Viajamos em comboio em ônibus recém-fabricados e retornamos em ônibus comuns. São horas e mais horas de viagem por esse “brasilzão” de meu Deus até entregar a encomenda. Essa é nossa vida”, ressalta.

A grande dificuldade do comboio é que grande parte do trajeto é feito em estradas mal conservadas muito difíceis de trafegar em veículos de grande porte. “Temos uma responsabilidade muito grande, pois o cliente quer receber o carro sem nenhum arranhão e a gente “anda” por estradas muito ruins, muitas vezes ? beira de precipícios. Um vacilo e o motorista pode jogar o veículo a mais 100 metros de altura”, frisa.

Entre os países que visitou o que mais lhe desagradou foi a Bolívia. “É um País muito sujo, com estradas péssimas. É uma dificuldade andar por lá”, ressalta, citando um fato pitoresco. “O que separa o Brasil do Uruguai é uma avenida de duas pistas. A mão que sobe é do Uruguai e a que desce é do Brasil. Você pode sentar no Uruguai e colocar o pé no Brasil”, compara.

Embora seja uma vida muito complicada e já estar chegando aos 70 anos, Rivail Mello não pensa em parar. “É isso que gosto de fazer e é essa vida que quero levar. Não sei ficar parado muito tempo num lugar e pode acreditar que vou morrer numa estrada”, conclui.