Pizza da CPI da Petrobrás já está assando no forno

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre desvio de bilhões de reais da Petrobrás tem tudo para se transformar numa grande pizza. Basta dizer que o presidente dessa CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), teve 60% de sua última campanha bancada com recursos das empresas envolvidas no esquema. Recebeu R$ 451 mil da Andrade Gutierrez e da Odebrecht. Sérgio recebeu R$ 962,5 mil das empresas Queiroz Galvão, OAS, Toyo Setal e UTC.

Já o relator indicado pelo PT, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) teve 39,6% da receita de sua campanha proveniente da doação de empresas que estão sob a investigação da Lava Jato. Foi ministro da Secretaria de Relações Institucionais e batizado de garçom, por ninguém ouvi-lo nas reuniões. Saiu desmoralizado. Como prêmio de consolo, foi para o Ministério da Pesca, mas Dilma o demitiu para dar lugar ao senador Marcelo Crivella.  O relator nomeado conseguiu um fato inusitado: ser demitido duas vezes, num mesmo governo.

E para completar, dos 27 membros que fazem parte desta CPI, 13 deles também têm envolvimento com as empresas investigadas. É preciso dizer mais alguma coisa? Que absurdo! Que canalhice! Como um cidadão pode fazer um julgamento imparcial contra quem o colocou no poder? 

Então, podemos dizer que não vão investigar porcaria nenhuma. A CPI começa com 50% favorável aos envolvidos. Com mais dois votos alcança-se a maioria. E em se tratando de política isso não será nenhum problema. Só mais um detalhezinho: mais de 60% dos membros escolhidos dessa CPI fazem parte da bancada de apoio ao governo. Vislumbra-se ou não uma enorme e suculenta pizza?

A bem da verdade, convenhamos, essa CPI criada para apurar os tentáculos da corrupção que se ramificaram na Petrobras não vai chegar a lugar nenhum. Se fosse, realmente, levada a sério com a punição exemplar para os envolvidos, certamente, seria necessário um novo Carandirú para abrigar tantos ladrões.

A última CPI criada no governo foi um desastre total e o corporativismo rolou solto entre suas excelências do Congresso Nacional.  Criada para apurar os negócios escusos do bicheiro Carlinhos Cachoeira acabou com um “imenso” relatório de duas páginas. Foi encerrada justamente quando resolveram apurar a relação do empreiteiro Fernando Cavendish com o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.  E todos os depoentes que foram convocados, usaram o direito de permanecerem calados. Então não se apurou, absolutamente, nada, A propósito, alguém sabe onde anda Carlinhos Cachoeira?

Voltando a COI da Petrobras é bom lembrar que esta semana começou a ser costurado um acordo entre as empresas acusadas de pagar propina a parlamentares. Se for necessário (não acredito que seja) os advogados poderão arquitetar uma estratégia ardilosa para que  as empreiteiras assumam o crime de cartel, escapando do julgamento por corrupção. A punição, é claro, seria muito mais branda.

Nesse caso, o crime poderia parar no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Justiça, que investiga e decide, em última instância, sobre a matéria concorrencial, como também fomenta e dissemina a cultura da livre concorrência.

Lembram-se do nome do  ministro da Justiça? Ele mesmo! José Eduardo Cardozo, que já esteve reunido sabe-se lá quantas vezes com os advogados das empreiteiras investigadas. Escarola, calabresa, champignon ou portuguesa?