Pesquisadora identifica habitantes pré-históricos de Botucatu

Botucatu e, mais especificamente, o Museu do Café da Fazenda Lageado contribuíram para que a pesquisadora de pós-doutorado pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP), Mercedes Okumura, fizesse descobertas interessantes em seu projeto que visa analisar os artefatos arqueológicos bifaciais mais conhecidos como “pontas de flechas”.

Em sua pesquisa, Mercedes propõe a análise das pontas de flechas das regiões de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul com a intenção de explorar potenciais variações no tamanho e na forma das peças em termos cronológicos e espaciais.

Durante uma visita ao Museu do Café em outubro do ano passado, ela teve contato com cinco pontas encontradas na região (quatro de Botucatu e uma em Bofete). Considerado “precioso” pela pesquisadora, o pequeno acervo apresenta algumas pontas semelhantes ? s encontradas na região de Rio Claro e outras bastante diferentes. “Essa diversidade de tamanho e forma de pontas da mesma região é intrigante”, analisa Mercedes. “Estudos posteriores ajudarão a esclarecer se Botucatu e Rio Claro compartilhavam alguma identidade no jeito de fazer as pontas de flecha”.

No Brasil, as pontas bifaciais são fortemente associadas ? denominada “Tradição Umbu” correspondente a grupos que durante cerca de dez mil anos teriam produzido esse mesmo tipo de artefato. Apesar de gerar algumas controvérsias entre os especialistas, estima-se que esses grupos ocupariam uma área bastante extensa do país, indo do Rio Grande do Sul até o estado de São Paulo.

O estudo de Mercedes aponta para outra direção ao encontrar resultados preliminares que mostram que as pontas encontradas em São Paulo seriam diferentes das produzidas por grupos habitantes de regiões mais ao sul do país. O trabalho tenta explicar as diferenças tanto no tamanho, quanto na forma das pontas, por meio das diferenças culturais existentes entre os habitantes dessas regiões. “As ‘coisas’ podem até servir para a mesma função, mas são feitas com design e estilos diferentes. Porque se supõe que grupos de pessoas diferentes façam ‘coisas’ diferentes”, esclarece Mercedes.

A pesquisadora ressalta que ainda precisa de mais pontas da região para consolidar os resultados do estudo, mas faz questão de lembrar a importância a importância da colaboração dos cidadãos e das instituições na preservação dos artefatos pré-históricos. “Pesquisas como essa só são possíveis graças ? generosidade de pessoas que doaram os achados arqueológicos a instituições que cuidam do patrimônio da região, como é o caso do Museu do Café”, explica. “É uma maneira muito bonita de preservar a história e permitir que mais pessoas a conheçam”.

Fonte: Assessoria de Imprensa:
Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp – câmpus de Botucatu/SP
Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais – Fepaf