Pescadores contribuem para poluir os rios que cortam a região

Embora esse assunto seja sempre divulgado pelos meios de comunicação ainda é impressionante a quantidade de lixo de toda espécie, que os pescadores deixam ? s margens dos rios e represas que circundam a região. O lixo abandonado gera muitos problemas, onde proliferam animais e insetos, carregando vírus e bactérias nocivos ? saúde. Por causa da poluição muitos peixes morrem em razão do baixo teor de oxigênio da água.

São rios como o Araquá, Capivara, Santo Inácio, Jaú, Pirambóia, Capivarinha, Embaúba, Rio da Vila, Rio Bonito, Rio Tietê, Paranapanema, Rio do Peixe, entre outros que estão sendo castigados pela ação de pescadores, que não se preocupam com a preservação. Também é nos rios que cortam a cidade, como o Tanquinho, Água Fria e Lavapés, que muitas pessoas despejam o lixo caseiro e até animais mortos.

Para comprovar esse desrespeito com a natureza, qualquer cidadão pode se deslocar a um dos rios da região (ou da cidade) e não é necessário caminhar muito para perceber, objetos, principalmente, recipientes de lata, madeira e plástico, jogados nas margens ou sendo carregados pela correnteza ou espalhados pela vegetação.

Se por um lado existem pescadores conscientes que procuram limpar a sujeira que fazem, acondicionando o lixo em sacos plásticos, outros abandonam tudo que não serve mais no próprio lugar onde acampam. Neste final de semana, a reportagem do Jornal Acontece foi checar de perto os dois lados dessa história, realizando uma vistoria em alguns rios da região, como o Rio Bonito, Capivarinha, Capivara e Araquá.

No Rio Araquá, a família de Sandro Amaro, da cidade de São Manuel, mostrou que se preocupa com a preservação do ambiente onde passa suas horas de lazer. “Tenho o costume de trazer sempre comigo um saco plástico e quando a gente levanta acampamento para ir embora, coloco todo lixo dentro e levo embora. A única coisa que jogo na água é ração e quirera de milho para “cevar” (atrair) os peixes”, ensina Amaro.

No Capivarinha, em um local conhecido como Bosque, onde os carros são estacionados, a dupla de pescadores de Botucatu, Antônio Carlos Rodrigues e Roque Santana, também procuram limpar o que sujam. “Se todo mundo limpasse o lixo, as margens dos rios estariam limpas”, disse Rodrigues. “Mas, tem gente que não está nem aí com a coisa e deixam tudo na margem, quando não jogam no rio. Por isso o Capivarinha está tão cheio de pernilongos”, complementou Santana.

A menos de 100 metros dali uma situação inversa. Em uma barraca montada um grupo de pescadores não gostou de ser abordado pela reportagem. “Quem é que quer levar lixo pra casa? Esse negócio de deixar o lixo é prática de todo mundo. Você (repórter) dá uma volta por aí e veja que não é só a gente. Se todo mundo levar o lixo eu vou começar a levar também. Mas, se ninguém leva, por que é que vou levar?”, colocou o professor de nome Júlio César, que mora em Cerqueira César.

Outro pescador, Moisés Afrânio Luiz, que estava fritando peixes embaixo da ponte do Rio Capivara em um fogão improvisado não gostou de ser abordado. “Estamos aqui pescando para passar umas horas. Se sujo ou não o rio é problema meu. Quem tiver incomodado que pegue um saco e limpe”, colocou.

O seu companheiro de nome Otávio que pescava há menos de quatro metros, tomando cerveja, entrou na conversa. “Sabe o que você (repórter) deveria fazer? Denunciar esses pescadores que “limpam” os rios com suas redes e tarrafas. Esses sim estão acabando com os peixes dos rios. A “limpeza” tem que começar por aí. Deixar latinhas de cerveja ou plásticos nas margens não acaba com os peixes. Não estou dizendo que é certo, mas não é o maior problema”, justificou.

Além da sujeira deixada pelos pescadores da região, rios como o Tietê (Jaú e Rio Bonito) recebem uma grande quantidade de toda espécie de lixo de outros municípios que acaba sendo arrastado até a região de Botucatu pela correnteza. Esse lixo é carregado pelas águas da chuva para as tubulações e bocas de lobo das cidades e acaba caindo nos rios.

Neste caso, além de recipientes plásticos e lata, ficam boiando próximo da margem pedaços de madeira, isopor, borracha, entre outros. Além, é claro, de toneladas de esgoto doméstico. Isso sem falar dos pesticidas que são jogados nos campos para exterminar pragas das plantações e acabam caindo nos rios, causando a morte de muitas espécies de peixes.

O pior de tudo isso é que para solucionar esse grave problema de lixo nos rios, as entidades preservacionistas ou mesmo as de repressão como a Polícia Militar Ambiental, alegam que o problema está ligado diretamente ao ser humano que deveria estar consciente de que cada um deve cuidar do lixo que produz. Se não houver essa conscientização, o problema não será solucionado.