Pelo amor de Deus! Sarney nunca mais!

“Uma população que não sabe escovar os dentes vai saber votar? O povo é uma besta que se deixa levar pelo cabresto!”. Essa frase é do general João Batista Figueiredo, presidente do Brasil de 19 de janeiro de 1979 a 16 de outubro de 1988. Tinha apenas 12 ministérios (hoje são 39) e negou a Copa do Mundo ao Brasil pelo excesso de gastos.

Evidentemente que não estamos aqui para defender Figueiredo que foi último presidente da era da Ditadura Militar, considerado o período mais negro da história do Pais, nascida em 9 de abril 1964, com a criação do Ato Institucional (AI-5), que cassou mandatos políticos de opositores ao regime militar e tirou a estabilidade de funcionários públicos. Mas, algumas coisas, têm que ser ponderadas.

Nesse regime ditatorial ocuparam o cargo de presidente da República os generais Castello Branco (1964-1967); Costa e Silva (1967-1969); Emílio Garrastazu Médici (1969-1974); Ernesto Geisel (1974-1979), e, finalmente João Batista de Figueiredo (1979-1985).

Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável ? aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República.

Tancredo fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal. Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves fica doente antes de assumir e acaba falecendo. Assume o vice-presidente e poderoso chefão do estado do Maranhão, José Sarney de Araújo Costa. É aí que eu queria chegar. Esse cidadão é a pior coisa da política nacional de todos os tempos. Com seus 83 anos de idade (57 deles dedicados ? vida pública), ele se eterniza no poder e deve morrer abraçado a ele. Claro, bilionário.

Iniciaram em sua gestão os mais escabrosos caso de corrupção do País, que perduram até hoje como um imenso e incurável câncer. Não que nos governos anteriores era tudo um mar de rosas, mas Sarney profissionalizou a corrupção e as negociatas espúrias entre políticos do Congresso Nacional e fez com que passassem fazer parte do cotidiano do Brasil. Falar em corrupção hoje é o mesmo que discutir um capítulo de novela; uma jogada de futebol ou comentar um filme. A profissionalização da corrupção começou com ele.

Por todos esses anos de política que vivi até hoje posso assegurar, sem medo de errar que para o Brasil, Sarney foi excelente para ele mesmo. Conseguiu tudo que queria e fecha o ciclo com a filha Roseana (governadora do Maranhão) fundando um museu financiado com dinheiro público, contando os seus 57 anos de vida. Aliás o Maranhão, embora seja reduto dos Sarney, é um dos estados mais pobres do Brasil.

Na minha humilde avaliação o senhor José Sarney foi o pior presidente de todos os tempos e é o pior político do Congresso Nacional. Depois que foi substituído na presidência do senado por Renan Calheiros (misericórdia!), não mais adentrou ao plenário para votar e discutir projetos e quando está em Brasília não sai de seu luxuoso gabinete.

Então, depois da ditadura que foi iniciada com a renúncia do então presidente Jânio da Silva Quadros (que governou somente entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961) e com a posse de Jango Goulart (1961 a 1964), o Brasil teve, além de Sarney, outros cinco presidente eleitos pelo voto popular: Fernando Collor de Mello (que governou de 1990 a 1992, até sofrer o impeachment); Itamar Franco (de 1992 a 1994, substituindo Collor); Fernando Henrique Cardoso (de 1995 a 1998 e de 1999 a 2002); Luis Inácio Lula da Silva (de 2003 a 2006 e de 2007 a 2011); e Dilma Roussef que iniciou seu mandato em janeiro de 2012. Nenhum deles santo, mas, infinitivamente, melhor e mais honesto do que Sarney. Já que está que fique, mas que não nasça outro igual. Nem parecido.