Parceria entre FCA e Apae, dá vida ao Projeto Viva Verde

Viva Verde é um projeto mantido pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Botucatu em parceria com a Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, câmpus de Botucatu.

O projeto envolve a participação de um grupo de cerca de 15 atendidos pela instituição na forma de oficinas que desenvolvem atividades de plantio de hortaliças. Há ainda o cultivo de temperos e algumas plantas medicinais. Diariamente, os atendidos participantes exercem suas funções específicas, tanto na horta, como na compostagem dos resíduos da cozinha.

As atividades são distribuídas segundo as habilidades dos atendidos, observadas e direcionada até o primeiro semestre pela professora Mirian Vivan Vizotto, e atualmente pelo senhor Areovaldo Alves e pela engenheira agrônoma Marilda Mendes Pinto Petrechen.

Os coordenadores do projeto, professores Roberto Lyra Villas Bôas (Departamento de Solos e Recursos Ambientais) e Antônio Ismael Cardoso (Departamento de Horticultura), participam da programação dessas atividades e da orientação a dois alunos da FCA que são bolsistas da Pró-Reitoria de Extensão (Proex).

Os bolsistas compartilham do trabalho uma vez por semana, transmitindo as técnicas de plantio, irrigação, poda, adubação, controle de plantas daninhas e eventualmente controle de insetos. Com isso, os mesmos conseguem por em prática, vários conhecimentos adquiridos nas disciplinas e em algumas situações, para resolver problemas específicos, contam com outros professores da FCA.

A produção atende a demanda da cozinha da APAE, que oferece refeição para os 240 atendidos e funcionários diariamente. Dessa forma, o projeto colabora de maneira significativa para a economia de recursos da instituição.

A escolha das hortaliças obedece critérios de época de plantio (aspectos agronômicos), característica da hortaliça (aspecto nutricional – orientado por Rafael Pinheiro nutricionista da APAE), além daquelas espécies que os atendidos tem prazer de colher e muitas vezes saborear (morango, tomate cereja, maracujá).

Compostagem

Outra atividade que gera muito interesse entre os atendidos que participam do projeto e ainda traz um importante benefício ambiental é a compostagem. Todo o resíduo da cozinha da APAE, principalmente cascas de frutas, talos, frutos com defeito, cascas de batata, e outros materiais residuais da cozinha, exceto ossos e carne, são triturados, com máquina (picador para compostagem) ou manualmente e misturado a um material rico em carbono (pó de serra, casca de arroz, folha seca) dando origem ? s pilhas de compostagem.

Diariamente, são incorporados ? pilha cerca de 30 a 60 litros de resíduos da cozinha. O material fica em processo de decomposição dentro de um túnel plástico, preparado especialmente para este fim, durante um período que varia de 40 a 60 dias. Os atendidos tem como atividade o revolvimento periódico do material da pilha, para que haja uniformidade na decomposição. Quando o composto atinge seu estado final (total escuro e ao contato com a mão ele fica aderente) é espalhado nos canteiros da horta, promovendo a reciclagem desses resíduos, sendo fonte de matéria orgânica e nutrientes para as plantas.

Parceiros

Além das bolsas de extensão, o projeto conta com ainda com recursos da Proex- Unesp, imprescindível para condução das atividades. Com esse recurso são adquiridas ferramentas para horta, insumos como calcário, adubos, além da tubulação da irrigação, que funciona automaticamente nos finais de semanas, quando não há atividade na instituição. Também foram construídos com esses recursos dois túneis plásticos, sendo um telado para a compostagem (12 m2) e a outro de 50 m2, para que os alunos possam desenvolver a atividade de horta também em dias chuvosos.

? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? O projeto conta também com parceiros muito comprometidos: a Prefeitura Municipal de Botucatu, que fornece mudas semanalmente e também já auxiliou fornecendo máquinas para preparo da área onde a horta foi instalada. A empresa de substrato Carolina Soil, fornece com frequência, substratos orgânicos que são misturados ao solo dos canteiros, melhorando a estrutura, retenção de água e outras propriedades físicas. O Banco do Brasil, também participa diretamente do projeto fornecendo recursos para pagamento de um funcionário que colabora no projeto da horta e em outras atividades na instituição. “A busca por parceiros e colaboradores é constante e portanto, fica aqui o convite a quem quiser colaborar como voluntário ou investir neste projeto”, ressalta o professor Lyra.

? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? Mesurar numericamente os resultados de um projeto como este é muito difícil, porém, para quem acompanha estas atividades é fácil observar alguns aspectos fundamentais e que, com certeza, comprovam os benefícios do trabalho. “Os atendidos sentem prazer de estar na horta, ao ar livre e desenvolverem as atividades do dia-a-dia, com o acompanhamento dos educadores da APAE e dos bolsistas da Unesp”, afirma o professor Lyra. “Há o desenvolvimento de habilidades, ajudando na capacitação motora e na autonomia; é possível observar uma dose de orgulho dos atendidos ao consumirem as hortaliças que são servidas no refeitório diariamente. Alguns, seguindo o modelo da APAE, implantaram hortas em sua residência”.

O professor ressalta também os benefícios para a formação dos alunos bolsistas. “A prática dos conhecimentos agronômicos é um ganho fundamental, no entanto, o contato com os atendidos, com suas diversidades, traz um aprendizado importante no crescimento como pessoa. Este também é o sentimento dos coordenadores, que vêem no projeto, mas do que uma atividade de extensão, um aprendizado de vida”.

Jardim Sensorial

Outro projeto de destaque na APAE de Botucatu, é o “Sentindo a Natureza”, elaborado por Tania Spadin e Marilda Mendes Pinto Pretechen, em parceria com o Instituto Embraer. Trata-se de um Jardim Sensorial com cinco estações: tato, olfato, audição, paladar e visão, onde plantas específicas que estimulam os sentidos são conduzidas em vasos e ao longo de um caminho onde há variações da textura do piso.

As plantas dispostas em uma sequência pré-determinada geram ao visitante sensações diferentes perfumes (olfato), texturas (tato), gostos, principalmente algumas medicinais (paladar). Há ainda plantas pendentes sobre caramanchões e que permitem o contato das pessoas que ali passa, além de diferentes arranjos de materiais que geram sons diferentes.

Todas as plantas dispostas no jardim são identificadas com nome científico, com escrita convencional e em Braille, e o espaço é adaptado para receber pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida.? Louise Miwa Shinjo, graduanda do curso de Agronomia da FCA, é voluntária neste projeto, ajudando nos tratos culturais e na manutenção e multiplicação das espécies.

Sobre a APAE

? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? Fundada em 1969, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, APAE-Botucatu (SP), é uma instituição não-governamental, sem fins lucrativos, de Assistência Social, com um trabalho voltado ? assistência social, saúde, educação e cultura. Funciona em sua sede própria desde 1973.

? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? Destaca-se pela excelência no atendimento a 240 pessoas com Deficiência Intelectual ou Múltipla (Deficiência Intelectual associada a outras deficiências) e Transtorno do Espectro do Autismo – TEA, a partir de 6 anos, cujas famílias encontram-se em situação de vulnerabilidade e risco pessoal e social, desenvolvendo um trabalho regional, atendendo municípios vizinhos.

A partir de 2010, a? APAE passou por grandes mudanças. Com um novo plano de gestão, o presidente Paulo Roberto Jesuíno, juntamente com sua equipe, implementaram diversas melhorias na instituição e muitas outras ainda estão por ocorrer. Mudanças de ordem física como reformas, pintura, construções de novos espaços e, também, no atendimento e ensino aos atendidos.

Com objetivo de possibilitar o desenvolvimento dos atendidos e permitir sua inclusão social, várias atividades socioeducativas são desenvolvidas, além da alfabetização e do atendimento social especializado a familiares e comunidade. Dentre os projetos, podem ser destacados: Estamparia em Tecido, Viva Verde: Horta, Jardinagem e Compostagem, Expressão Corporal Ritmos Culturais, Arte Culinária, Arte em Madeira, Cultura Digital (Informática), Hidroginástica, Reciclagem, Programa Criando Asas (treinamento para inclusão no mercado de trabalho) e os Projetos Inclusão Digital e Vida Saudável (hidroginástica e atividade física) para os pais ou responsáveis pelos atendidos). Todas estas atividades auxiliam na superação das limitações e contribuem para a melhora da qualidade de vida da pessoa com deficiência.