Padre Zezinho: um presente da Itália para Botucatu

Aos 76 anos de idade o monsenhor José Lorusso ou padre Zezinho, como é mais conhecido, é um dos mais conhecidos, carismáticos e polêmicos sacerdotes que atuam em Botucatu. Responsável pela Igreja Sagrado Coração de Jesus, na Vila dos Lavradores, Lorusso é, também, presidente da Comissão para Serviço da Caridade, Justiça e Paz da Arquidiocese de Botucatu.

Nasceu e foi alfabetizado na Cidade de Bari, na Itália, de onde saiu aos 12 anos para fixar residência em Roma. Filho de pai empresário e penúltimo filho de uma família de dez irmãos (sete homens) sentiu sua vocação ao sacerdócio e desse caminho não mais se desviou. E foi na Basílica de São Pedro onde aconteceu sua ordenação pelas mãos do Vigário Geral de Sua Santidade Papa XXIII, cardeal Eugênio Trisserant.

Ainda jovem, Lorusso veio para o Brasil, onde teve o cargo de sacerdote acumulado com várias funções e nunca se preocupou em galgar cargos eclesiásticos mesmo tendo se especializado em psicologia, filosofia, história, teologia dogmática e moral, lecionando em todas as disciplinas em que se especializou. Também é poliglota e fala vários idiomas, conhecendo a maioria dos países europeus, Estados Unidos e Japão.

Sobre cargos ele é taxativo. “Carreira por carreira teria ficado com a família tendo a possibilidade de projetar econômica e politicamente. Minha vocação é ser missionário e servidor, na medida em que o anúncio do evangelho se aposse de minha alma, inteligência e de poder transmitir a palavra de Deus e influenciar as pessoas”, diz Lorusso que é adepto a Renovação Carismática Católica.

Ao longo dos anos fez da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, uma das mais organizadas e estruturadas do Estado, trabalhando ao lado dos paroquianos. Pastoralmente a igreja está dividida em 12 setores, 86 subsetores, com 800 agentes pastorais prestando serviços voluntários ? comunidade. Sua estrutura física agrega entre outras coisas, Matriz, Centro de Planejamento Pastoral; Sala Multimídia; e Recanto Infantil.

A manutenção econômica da Paróquia vem do projeto “consciência da partilha”, através da Pastoral do Dízimo, que segundo Lorusso fortalece a comunidade e permite melhor formação dos quase mil agentes transformadores da igreja. “O dízimo é, na verdade, uma devolução a Deus de uma pequena parte que Ele nos dá”, explica.

Em fevereiro deste ano inaugurou a segunda Igreja do Divino Pai Eterno do Brasil, instalada no Centro Comunitário no Jardim Monte Mor/Jardim Iolanda, na Rua Leonilda Varoli Faconti. A outra igreja brasileira fica na Cidade de Trindade, em Goiás, tendo como responsável o padre Robson de Oliveira Pereira. Inauguração contou com a presença do Arcebispo Dom Maurício Grotto de Camargo, vários sacerdotes e centenas de pessoas ligadas aos mais diferentes segmentos da sociedade botucatuense.

Em seu discurso o Arcebispo de Botucatu não deixou de elogiar o trabalho realizado pelo monsenhor Lorusso para construir a igreja e lembrou seu passado desde quando decidiu ser padre, contrariando o desejo da própria família. “O monsenhor Zezinho veio de uma família muito rica e abandonou tudo para seguir sua vocação sacerdotal, para se tornar um missionário autêntico”, disse o Arcebispo, sendo muito aplaudido. Nesse momento o monsenhor não segurou as lágrimas e chorou muito.

Pouco depois, já refeito da forte emoção, o monsenhor enalteceu o envolvimento das pessoas que estiveram nessa empreitada e a comunidade católica, de uma forma geral. Lembrou que foram gastos mais de R$ 650 mil para executar essa obra e todo dinheiro veio, exclusivamente, do dízimo da comunidade.

“Não estamos devendo nada pra ninguém. Nós plantamos a semente e agora estamos colhendo os frutos. Essa igreja é o ponto de alegria e felicidade para todos. Não fazemos nada sozinho e tudo que conquistamos veio desse trabalho que é feito com a comunidade, através das nossas Pastorais”, frisou.