Padre Orestes: rei das festas por amor a Deus

O padre Orestes Gomes, com seus 54 anos de idade é, sem dúvida, um dos sacerdotes mais carismáticos e queridos de Botucatu. Percebeu sua vocação aos 16 anos de idade e foi incentivado pelo então Arcebispo Dom Vicente Marchetti Zioni.

É conhecido como o padre festeiro, em razão de sua iniciativa em organizar eventos. Em entrevista ao jornal {n}Acontece{/n} o padre relata sua trajetória de vida e como descobriu sua vocação sacerdotal. Conheça a vida desse padre que consegue transformar (sempre pra melhor) o cotidiano das paróquias onde é designado para trabalhar.

{n}Vocação sacerdotal{/n}

“Sou de uma família bastante religiosa e aprendi a gostar de festas participando de eventos no sítio Santo Antônio, no Bairro Três Barras, em Bofete, que era do meu avô. Então, desde “molequinho”, acompanhava as procissões e visitava muitas capelas em bairros como o Santo Antônio, Socorro, São Roque, Nossa Senhora Lurdes ou São Pedro. Também frequentava locais onde se rezavam o terço e eu gostava de rezar. Sempre gostei de rezar. Lembro que em 1972 apareceram os missionários em Bofete e eu acompanhei as missões. Tinha amizade com um padre português chamado Teotônio que, na época, atendia a três cidades: Pardinho, Bofete e Anhembi, porque não havia um número suficiente de padres. Foi nesse tempo que despertou em mim a vocação sacerdotal. Parecia que alguma coisa dentro de mim me convidava, mas eu não encontrava apoio. Fiquei nessa luta durante três anos. Eu não tinha um padrinho e precisava de alguém para me dar um empurrão”.

{n}Dom Zioni{/n}

“Em 1975, quando eu estava de 17 para 18 anos, vim fazer o Treinamento de Liderança Cristã (TLC) em Botucatu e me encontrei com o Bispo Dom Vicente Marchetti Zioni, que falou sobre sua intenção de reabrir o Seminário de Botucatu, por entender que haviam jovens da região vocacionados ao sacerdócio. Foi então que falei ao Dom Zioni sobre minha intenção de ser padre. Ele disse na hora: “Você será um dos nossos candidatos”. Fiz o TLC, fui para casa, mas estava convicto de que eu retornaria para o Seminário. E voltei a Botucatu em março de 1976. Fui acolhido pelo Dom Zioni e voltei a falar com ele sobre minha intenção, mas tinha um problema: eu só havia estudado até o ginásio e para entrar no Seminário eu precisava do colegial. Outra vez o Dom Zioni me apoiou. Acho que ele viu que eu tinha, realmente, vocação e me colocou no Seminário. Então, passei a fazer o colegial no Colégio Santa Marcelina e o superior no seminário. Isso tudo ao mesmo tempo. E olha que havia interrompido os estudos há quatro anos. Passei a estudar no Seminário com outros jovens que estavam três anos mais adiantados e mesmo assim consegui acompanhar. Tenho orgulho de dizer que numa classe de 40 alunos eu fechava minhas notas primeiro que os demais. Olha, dava tudo certo. Não tinha jeito e percebi que Deus havia me escolhido para ser padre. E me dei bem no estudo, até no aprendizado das cinco línguas do Seminário que eram o latim, francês, espanhol, inglês e o grego. Isso é coisa de Deus, não tem outra explicação. Mesmo estudando nunca deixei de participar de festas. E tem outra coisa: normalmente para se ordenar padre é necessário um tempo de 15 anos de estudos, mas eu consegui me ordenar padre com 10 anos. Fui ordenado padre em dezembro de 1985. Por isso em dezembro deste ano farei 25 anos de sacerdócio. Não tenha dúvida de que farei uma festa”.

{n}Primeira igreja{/n}

“Na minha ordenação de padre o Dom Zioni me chamou e disse que me queria na Catedral de Botucatu, mas primeiro mandou-me para Avaré assumir uma igreja daquela cidade que havia sido construída. Fiquei naquela cidade por 10 anos. Nesse tempo lancei lá a “Festa do Milho”. Fiz até a 8ª edição e ela continua sendo realizada com muito sucesso. É uma semente que nós plantamos lá e que está gerando frutos. Com a Festa do Milho em Avaré, levantei recursos para construir duas casas para a paróquia. Depois fui para Arandu, que faz parte de Avaré, onde fazendo festas, algumas fora de época, reformei a igreja e fiz um centro comunitário”.

{n}Festa de Santana{/n}

“Quando cheguei a Botucatu e assumi a Catedral em 1995, a cidade estava parada e no primeiro ano não tive clima para fazer festa, mas pensei: no próximo ano vou fazer a festa de Senhora Santana, que é a santa padroeira. Não deu outra. Fiz a festa e foi um sucesso. O bispo era o Dom Antônio Mucciolo que chegou a me dizer que eu não iria conseguir mobilizar a comunidade. Fui atrás de todo mundo, atrás dos vereadores, atrás do prefeito Pedro Losi (na época) e consegui mais do que a festa. Consegui fazer com que o Dia de Santana, passasse a ser feriado na cidade”.

{n}Vila Maria{/n}

“Fiquei oito anos na Catedral e fui designado para trabalhar na igreja Nossa Senhora Menina aqui na Vila Maria, onde estou até hoje. Já no primeiro ano criei a Festa do Milho que este ano entrou na sua 8ª edição. O padre Cláudio que estava aqui também trabalhou bonito, mas as festas eram limitadas. Fizemos a Festa do Milho este ano e o sucesso foi tão grande que nós decidimos fazer uma festa fora de época. Arrumamos o milho e fizemos outra Festa do Milho com o nome de “Safrinha de São João”.

{n}Linha de produção{/n}

“A comunidade da Vila Maria é maravilhosa e sem ela eu não conseguiria fazer nada. Para realização da Festa do Milho o pátio da igreja Nossa Senhora Menina se transforma em uma verdadeira linha de produção. Um grupo colhe o milho, outro faz o transporte até o pátio da igreja, onde um grupo descasca as espigas, antes que elas sejam encaminhadas aos “departamentos da empresa”, para que os produtos sejam feitos. Uma parte vai para o cozimento, outra para a trituração. Todas as máquinas para manusear as espigas de milho foram feitas por mim. Eu “inventei” as máquinas, somente para fazer esta festa”.

{n}Próxima festa{/n}

“A próxima festa aqui na Vila Maria está sendo preparada. Será a (festa) da Padroeira da igreja Nossa Senhora Menina, que comemoramos no mês de setembro. O povo que nos aguarde que vem gente boa por aí para fazer o show. Vamos agitar o bairro. Estamos contatando o Grupo Falamansa ou a dupla Bruno e Marrone. Também estou ajudando a organizar a Festa do Morro Grande que acontece dias 9, 10 e 11 de julho. Para os dias 17 e 18 temos a Festa de Piapara e nos dias 1 e 2 de agosto em Bom Jesus do Ribeirão Grande. Depois também temos que organizar a Festa de Nossa Senhora das Vitórias, em Vitoriana, que iremos fazer em dezembro. Serão três dias de arrebentar”.

{n}Vida sacerdotal{/n}

“Tenho 10 anos de Avaré, oito anos de Catedral e sete anos de Vila Maria. Nesses 25 anos não sei quantas festas organizei. Sei que foram muitas, sempre com renda revertida para ser aplicada na própria comunidade da igreja. E assim gente vai caminhando. Trabalhando por amor a Deus, rezando muito e fazendo festas. E sou um padre que ficou conhecido por não usar batina no dia a dia. Na verdade, uso botina”.

Fotos: Valéria Cuter