Padre Orestes carrega título de rei das festas

O padre Orestes Gomes, com seus 56 anos de idade é, sem dúvida, um dos sacerdotes mais carismáticos e queridos de Botucatu. Percebeu sua vocação aos 16 anos de idade e foi incentivado pelo então Arcebispo Dom Vicente Marchetti Zioni.

É conhecido como o padre festeiro, em razão de sua iniciativa em organizar eventos. Em entrevista ao jornal Acontece o padre relata sua trajetória de vida e como descobriu sua vocação sacerdotal. Conheça a vida desse padre que consegue transformar (sempre pra melhor) o cotidiano das paróquias onde é designado para trabalhar.

{n}Vocação sacerdotal{/n}

“Sou de uma família bastante religiosa e aprendi a gostar de festas participando de eventos no sítio Santo Antônio, no Bairro Três Barras, em Bofete, que era do meu avô. Então, desde “molequinho”, acompanhava as procissões e visitava muitas capelas em bairros como o Santo Antônio, Socorro, São Roque, Nossa Senhora Lurdes ou São Pedro. Também frequentava locais onde se rezavam o terço e eu gostava de rezar.

Sempre gostei de rezar. Lembro que em 1972 apareceram os missionários em Bofete e eu acompanhei as missões. Tinha amizade com um padre português chamado Teotônio que, na época, atendia a três cidades: Pardinho, Bofete e Anhembi, porque não havia um número suficiente de padres. Foi nesse tempo que despertou em mim a vocação sacerdotal. Parecia que alguma coisa dentro de mim me convidava, mas eu não encontrava apoio. Fiquei nessa luta durante três anos. Eu não tinha um padrinho e precisava de alguém para me dar um empurrão”.

{n}Dom Zioni{/n}

“Em 1975, quando eu estava de 17 para 18 anos, vim fazer o Treinamento de Liderança Cristã (TLC) em Botucatu e me encontrei com o Bispo Dom Vicente Marchetti Zioni, que falou sobre sua intenção de reabrir o Seminário de Botucatu, por entender que haviam jovens da região vocacionados ao sacerdócio. Foi então que falei ao Dom Zioni sobre minha intenção de ser padre. Ele disse na hora: “Você será um dos nossos candidatos”.

Fiz o TLC, fui para casa, mas estava convicto de que eu retornaria para o Seminário. E voltei a Botucatu em março de 1976. Fui acolhido pelo Dom Zioni e voltei a falar com ele sobre minha intenção, mas tinha um problema: eu só havia estudado até o ginásio e para entrar no Seminário eu precisava do colegial.

Outra vez o Dom Zioni me apoiou. Acho que ele viu que eu tinha, realmente, vocação e me colocou no Seminário. Então, passei a fazer o colegial no Colégio Santa Marcelina e o superior no seminário. Isso tudo ao mesmo tempo. E olha que havia interrompido os estudos há quatro anos. Passei a estudar no Seminário com outros jovens que estavam três anos mais adiantados e mesmo assim consegui acompanhar. Tenho orgulho de dizer que numa classe de 40 alunos eu fechava minhas notas primeiro que os demais.

Olha, dava tudo certo. Não tinha jeito e percebi que Deus havia me escolhido para ser padre. E me dei bem no estudo, até no aprendizado das cinco línguas do Seminário que eram o latim, francês, espanhol, inglês e o grego. Isso é coisa de Deus, não tem outra explicação. Mesmo estudando nunca deixei de participar de festas. E tem outra coisa: normalmente para se ordenar padre é necessário um tempo de 15 anos de estudos, mas eu consegui me ordenar padre com 10 anos. Fui ordenado padre em dezembro de 1985.

{n}Primeira igreja{/n}

“Na minha ordenação de padre o Dom Zioni me chamou e disse que me queria na Catedral de Botucatu, mas primeiro mandou-me para Avaré assumir uma igreja daquela cidade que havia sido construída. Fiquei naquela cidade por 10 anos. Nesse tempo lancei lá a “Festa do Milho”. Fiz até a 8ª edição e ela continua sendo realizada com muito sucesso. É uma semente que nós plantamos lá e que está gerando frutos. Com a Festa do Milho em Avaré, levantei recursos para construir duas casas para a paróquia. Depois fui para Arandu, que faz parte de Avaré, onde fazendo festas, algumas fora de época, reformei a igreja e fiz um centro comunitário”.

{n}Festa de Santana{/n}

“Quando cheguei a Botucatu e assumi a Catedral em 1995, a cidade estava parada e no primeiro ano não tive clima para fazer festa, mas pensei: no próximo ano vou fazer a festa de Senhora Santana, que é a santa padroeira. Não deu outra. Fiz a festa e foi um sucesso. O bispo era o Dom Antônio Mucciolo que chegou a me dizer que eu não iria conseguir mobilizar a comunidade. Fui atrás de todo mundo, atrás dos vereadores, atrás do prefeito Pedro Losi (na época) e consegui mais do que a festa. Consegui fazer com que o Dia de Santana, passasse a ser feriado na cidade”.

{n}Vila Maria{/n}

“Fiquei oito anos na Catedral e fui designado para trabalhar na igreja Nossa Senhora Menina aqui na Vila Maria, onde estou até hoje. Já no primeiro ano criei a Festa do Milho que este ano entrou na sua 11ª edição. O padre Cláudio que estava aqui também trabalhou bonito, mas as festas eram limitadas. Fizemos a Festa do Milho este ano e o sucesso foi tão grande que nós decidimos fazer uma festa fora de época. Arrumamos o milho e “inventamos” outra festa com o nome de “Safrinha de São João”. Com a arrecadação das festas conseguimos cobrir todo o pátio da igreja para que o público que nos visita tenha mais conforto. Por isso, nem que chova, aqui tem festa”!

{n}Linha de produção{/n}

“A comunidade da Vila Maria é maravilhosa e sem ela eu não conseguiria fazer nada. Para realização da Festa do Milho o pátio da igreja Nossa Senhora Menina se transforma em uma verdadeira linha de produção. Um grupo colhe o milho, outro faz o transporte até o pátio da igreja, onde um grupo descasca as espigas, antes que elas sejam encaminhadas aos “departamentos da empresa”, para que os produtos sejam feitos. Uma parte vai para o cozimento, outra para a trituração. Todas as máquinas para manusear as espigas de milho foram feitas por mim. Eu “inventei” as máquinas, somente para fazer esta festa”.

{n}Vida sacerdotal{/n}

“Tenho 10 anos de Avaré, oito anos de Catedral e 10 anos de Vila Maria. Nesses anos todos não sei quantas festas organizei. Sei que foram muitas, sempre com renda revertida para ser aplicada na própria comunidade da igreja. E assim gente vai caminhando. Trabalhando por amor a Deus, rezando muito e fazendo festas. E sou um padre que ficou conhecido por não usar batina no dia a dia. Na verdade, uso botina”.