O povo contra os políticos

O dia 13 de março de 2016 vai ficar na história com a manifestação popular de milhares de pessoas em dezenas de cidades do país favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, contra o Partido dos Trabalhadores (PT), contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra a corrupção e os políticos, de uma forma geral. Foi esta a maior movimentação popular já realizada no país. Além de gigantesca, pacífica e ordeira.

E ficou latente que os manifestantes não acreditam mais na classe política. Dos três poderes, somente o Judiciário é que ainda detém credibilidade popular. Os outros dois (Executivo e Legislativo) estão desacreditados.  O povo não suporta mais ver a nação envolvida pelos tentáculos da corrupção. A figura do político está intimamente atrelada a ela.

E os manifestantes contaram com um aliado de peso: as redes sociais que levaram a importante função da convocação. É também através de manifestações como esta que poderemos eliminar resquícios da ditadura que ainda nos assombram, como é o caso da nefasta obrigatoriedade do voto.

Nos grandes centros, os políticos oportunistas que se atreveram a comparecer ao movimento foram rechaçados e, impiedosamente, vaiados.  Alguns deles, por sinal, suspeitos de estarem envolvidos em corrupção. O povo não deixou o roto falar do rasgado. Quiseram se aproveitar de uma situação e levaram uma invertida homérica. O tiro saiu pela culatra.

E o apoio popular ao Judiciário ficou latente em camisetas, faixas e cartazes enaltecendo o trabalho do juiz Sérgio Moro responsável por julgar as ações da Operação Lava-Jato, que têm levado dezenas de corruptos ligados a classe política à cadeia. Isso já havia acontecido no processo do julgamento dos envolvidos no caso do mensalão, onde o homenageado nas ruas foi o então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Enquanto o Judiciário nada em águas límpidas, o Executivo e Legislativo chafurdam no esgoto.

A verdade é que não existe mais condição de a presidente Dilma Rousseff permanecer no poder. Ela sabe (mas finge não saber) da gravidade de sua situação, tendo mais de 80% de rejeição popular. Porém a desgraça é que sua queda vai fazer com que o vice, Michel Temer, do PMDB, assuma o governo.  Aliás,  Temer está fazendo um trabalho político hercúleo nos bastidores para promover a queda da presidente, em conluio com outros partidos, seja de situação ou de oposição, já prometendo “uma ampla coalizão futura para que o país tenha governabilidade”. Que balela!

Se isso acontecesse o PMDB estaria na presidência dos três principais cargos da República:  Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha);  Senado (Renan Calheiros) e a presidência. Jesus, que trio! Cômico, se não fosse trágico!  Isso sem falar que no PMDB ainda existem outras “feras atuantes” como Romero Jucá, Valdir Raupp, Jader Barbalho, Edison Lobão e José Sarney, só para citar algumas delas. Pobre Brasil.


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