O desafio de quem busca se libertar das drogas

Só quem vive, cotidianamente, o problema sabe o quanto é difícil livrar um jovem da dependência química. Estatísticas revelam que de cada 100 pessoas em tratamento, apenas 30 concluem o tratamento e dessas 30, pelo menos, 15 acabam voltando ao vício, restando outras 15 que são curadas. Isso significa que de 100 pessoas, 85 não conseguem largar o vício. E para que o tratamento seja efetivado o principal fator é o próprio dependente querer se curar.

Em Botucatu a entidade que atende pessoas com dependência química é o Desafio Jovem, com sede administrativa ao lado do Viaduto Bento Natel, na Vila Aparecida, onde são feitas as triagens. A clínica para tratamento está instalada na zona rural, em uma área de 10 mil metros quadrados no Bairro de Anhumas, com muito verde, onde os dependentes permanecem em contato direto com natureza. A grande maioria das internações é em razão do consumo de crack (75%).

A reportagem do {n}Acontece{/n} esteve visitando o complexo de Anhumas e conheceu de perto o trabalho que lá é desenvolvido e a batalha diária que cada um dos residentes trava consigo mesmo para buscar a desintoxicação. As histórias são semelhantes e a maioria revela que entrou para o submundo do vício levado por companheiros na rua. Uma coisa é unânime: todos querem sair do vício, mas somente os mais fortes conseguem.

Nesta área os recuperandos tem uma vasta gama de atividades diárias programadas para evitar a ociosidade. Eles dividem o tempo cuidando da horta, tratando dos animais (galinhas, porcos e peixes) ou trabalhando na marcenaria. Também não faltam os momentos de lazer com a academia de ginástica, salão de jogos, campo de futebol e caminhada, além dos ensinamentos bíblicos. Isso sem falar das obrigações cotidianas pessoais de cada um com lavagem de roupas, limpeza em todas as dependências, arrumações e auxílio na preservação e manutenção da área.

O coordenador geral do Desafio é Roberto Eduardo dos Santos, conhecido como Tom, que faz parte desse projeto há 10 anos. Ele revela que todo residente que ingressa no Desafio

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Jovem passa por um processo de adaptação onde recebe orientações de normas e condutas que devem nortear a permanência de cada um no complexo. O tempo de uma internação varia de seis meses a um ano, mas esse prazo pode ser estendido dependendo do caso.

“Como em qualquer outro lugar, o residente tem direitos e deveres. Por isso, antes de ingressar ele responde a um questionário para se certificar de como é o procedimento adotado para manter a disciplina diária durante o tratamento. E tem um detalhe importante: ninguém fica no Desafio Jovem se não quiser. Aqui não é prisão. Se a qualquer momento um dos dependentes quiser ir embora ele não será impedido. Isso consta no regulamento e a família é, antecipadamente, orientada sobre isso”, diz o coordenador.

O que o Desafio não aceita, em hipótese nenhuma, segundo o coordenador, é agressão física e ingestão de qualquer tipo de droga dentro do complexo. “Quem necessita tomar remédio, claro que irá continuar tomando. Mas nós aqui não administramos nenhum tipo de medicamento para suprir a necessidade que o organismo do dependente tem da droga. Ele tem que ter consciência de que somente será curado se tiver força de vontade, persistência, amor próprio e muita dedicação, nos momentos das crises de abstinência. E nós estaremos aqui para dar todo apoio que ele precisar”, colocou Santos.

Para manter a entidade em funcionamento Tom Santos revela que o dinheiro vem do pagamento das mensalidades de alguns dos internos e da colaboração da comunidade. “Temos hoje aqui 16 internos, sendo que nove deles são custeados com uma parceria que temos com a Secretaria de Assistência Social de Prefeitura e os outros com pagamento de mensalidades. Só que o número de internos desse convênio com a Prefeitura está muito acima da média. Mas não podemos deixar de buscar a cura de uma pessoa porque ela não pode pagar o tratamento. Fazemos a triagem e se entendermos que é necessário a internação, nós internamos, claro que dentro da nossa capacidade física, que é de, no máximo, 26 pessoas residentes”, coloca o coordenador.

Ele revela que para atender os residentes o Desafio Jovem conta com três monitores, uma médica, um coordenador administrativo, uma assistente social e uma equipe de voluntários da Igreja Bíblica Evangélica. “Falta-nos um psicólogo, um terapeuta ocupacional, um professor de Educação Física e um marceneiro para ensinar o ofício. Infelizmente, o Desafio Jovem não possui condições financeiras para contratar os serviços desses profissionais e estamos tocando com o que temos”, diz o coordenador.

Tom Santos lembrar que se a população da cidade quiser ajudar o Desafio Jovem basta se dirigir até a sede administrativa da entidade que fica ao Viaduto Bento Natel e conversar com o administrador da sede, Rivaldo Laperutta. “Aceitamos todo e qualquer tipo de ajuda, seja em dinheiro, seja em materiais de construção, alimentos não perecíveis, móveis, enfim toda a ajuda da população será bem vinda para que gente possa buscar a cura de quem se enveredou pelo caminho da dependência química e está querendo se desintoxicar. Só quem tem um problema de dependência química na família sabe o que isso significa”, concluiu Tom Santos. O telefone para contato é: 3815-7321.