Não se faz protesto com falta de respeito

Não tenho, absolutamente, nada com a preferência sexual de quem quer que seja. Longe disso! Muito menos desaprovo movimentos contra a discriminação ou homofobia. Entretanto,  o que aquele desavergonhado fez domingo na Parada Gay, em São Paulo,  desfilando crucificado, lembrando o sacrifício de Jesus, ultrapassou o limite do bom senso e da falta de respeito. Isso acarretou um clima ruim entre os próprios homossexuais. O pior de tudo é que aquele desgraçado conseguiu o que queria, ou seja, ser o centro das atenções.

E transcrevo aqui as palavras de Dom Odilo P. Scherer, Arcebispo de São Paulo, que salientou que as ofensas dirigidas não só à Igreja Católica, mas a tantos outros grupos cristãos e tradições religiosas não são construtivas e não fazem bem aos próprios homossexuais, criando condições para aumentar o fosso da incompreensão e do preconceito contra eles.

É triste, realmente, o deboche que é feito contra imagens de santos, deliberadamente associados a práticas que a moral cristã desaprova e que os próprios santos desaprovariam também.  Diz ainda, Dom Cherer que a Igreja Católica desaprova a violência contra quem quer que seja; não apoia, não incentiva e não justifica a violência contra homossexuais.

E na história da luta contra o vírus HIV, a Igreja foi pioneira no acolhimento e tratamento de soro-positivos, sem questionar suas opções sexuais; muitos deles são homossexuais e todos são acolhidos com profundo respeito. Grande parte das estruturas de tratamento de aidéticos está ligada à Igreja.

E continua dizendo que quem apela para a Constituição Nacional para afirmar e defender seus direitos, não deve esquecer que a mesma Constituição garante o respeito aos direitos dos outros, aos seus símbolos e organizações religiosas. Quem luta por reconhecimento e respeito, deve aprender a respeitar. Como cristãos, respeitamos a livre manifestação de quem pensa diversamente de nós. Mas o respeito às nossas convicções de fé e moral, às organizações religiosas, símbolos e textos sagrados, é a contrapartida que se requer.

Então, o gesto infeliz daquele desclassificado deve ser tema de reflexão. Não se pode buscar espaço, brincando com a fé do semelhante, debochando de um dos mais marcantes momentos da história universal. O pior de tudo é que “aquilo” deve estar rindo daquele ato que preencheu seu ego, mas mostrou o quanto um ser humano pode ser pequeno.  Que Deus se apiede dele.