Morte de adolescente de 17 anos no PS revolta família

A morte do jovem Alexsander Felipe Silva, de 17 anos de idade, se transformou em grande revolta entre seus familiares. Isso porque o laudo da morte atesta que Alexsander morreu de meningite meningocócica, que é muito contagiosa e pode ter afetado outras pessoas. A doença só foi diagnosticada 48 horas depois que o rapaz morreu e existe a possibilidade de que outras pessoas tenham se contagiado, já que o caso, segundo a família, não foi tratado como uma doença dessa gravidade.

A mãe desse rapaz, Marilza de Fátima Silva, alega que ele deu entrada no Pronto Socorro Regional que é gerido pelo Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu na noite de sábado (7), por volta das 20 horas, com dores pelo corpo, calafrios e dores nas articulações e nos braços. O diagnóstico médico atestou que ele tinha uma intoxicação alimentar. Recebeu soro e teve alta médica saindo do local sem nenhum receituário.

Marilza Silva lembra que durante a madrugada de domingo (8) a situação do filho se agravou e ele passou a noite inteira reclamando de dores. A família retornou com ele ao Pronto Socorro pela manhã, ? s 8 horas, permanecendo o dia inteiro em um colchão de plástico aguardando uma vaga para ser internado no HC. Durante esse período outros diagnósticos foram dados ? família sobre o estado de saúde do garoto: baixo índice de plaquetas e complicações nos rins, câncer de pâncreas, leptospirose e, por fim, dengue hemorrágica. Por volta das 23h50 o garoto piorou e foi levado, emergencialmente, a uma sala e morreu durante a madrugada de segunda feira as 03 horas.

“Meu filho não teve o tratamento que um ser humano merece. Passei naquele PS as piores horas de minha vida, vendo meu filho sofrer e ser mal atendido, sem saber ao certo o que ele tinha e por qual razão tinha morrido, já que nos passaram vários diagnósticos. Chegaram até a chamar a Polícia Militar porque acharam que eu estava dando escândalo. Fui para casa arrasada com o que fizeram com meu filho e sem saber a razão de sua morte, já que não me deram nenhum documento”, lamenta a mulher.

Ela enfatiza que sua surpresa foi maior ainda quando nessa sexta-feira (13) uma equipe da Saúde de Botucatu esteve em sua casa levando remédio para toda família. “Foi então que fiquei sabendo que a causa da morte tinha sido por meningite meningocócica. Olha o absurdo!”, conta a mulher. “E a demora para fazer o diagnóstico pode ter contagiado outras pessoas inclusive os atendentes do PS que estiveram com ele. Até o caixão permaneceu aberto no velório porque ninguém sabia da meningite”, acrescenta a mulher.

A reportagem apurou que a Secretaria de Saúde também visitou nesta sexta-feira vários locais onde Alexsander esteve nos últimos dias, inclusive na escola onde estudava, para aplicar a medicação nas pessoas com quem teve contato e evitar um contágio. A Superintendência do Hospital das Clínicas, responsável pela administração do PS, ainda não se manifestou sobre o caso.

Familiares e amigos de Alexsander decidiram que irão fazer uma passeata na tarde deste sábado (14) a partir das 17 horas para mostrar o inconformismo com a morte do garoto. Eles deverão se concentrar na Praça da Igreja São José e percorrer várias ruas da Cidade. No início da semana está previsto que será feita uma denúncia ao Ministério Público para que o caso seja apurado.