Ministro anglicano será ordenado diácono

Fotos: Valéria Cuter

A igreja Anglicana liderada pelo reverendo Aldo Quintão, da Arquidiocese Anglicana de São Paulo montou uma comunidade no ano passado que está funcionando em uma capela na Rua João Lumina Júnior, 420, região da Cohab I, em espaço organizado para as missas e encontros da comunidade até que se construa sua própria igreja.

Embora a igreja esteja difundida mundo ela mistura em seus costumes tradições das igrejas católica e protestante, além de traços da cultura celta e tem como ministro e que deverá ser ordenado diácono este ano, João Ricardo Marcello e que coordena as celebrações e encontros anglicanos.

Essa corrente cristã que surgiu na Inglaterra, durante o reinado de Henrique VIII, em 1534, tem um caráter mais liberal e se guia através dos ensinamentos bíblicos, da tradição vinda dos apóstolos e bispos e o uso da razão. “A democracia é a alma da igreja (anglicana). Tratamos de forma diferente questões como o uso de anticoncepcionais e do sexo somente para procriação”, realça o ministro.

Explica João Marcello que o uso de contraceptivos é condenado por alas conservadoras da Igreja Católica e a questão do sexo por prazer, carregada de um tanto de culpa, é tratada com mais normalidade no meio anglicano. “O pecado existe, é o mal que praticamos contra nós mesmo e os outros, mas ele não deve ser o regulador da nossa moral”, disse.

Destaca que a igreja Anglicana acolhe, ama, não é punitiva e não vigia. “Podemos ter acesso a tudo, mas precisamos de amor, carinho, viver em paz e harmonia e que o bem-estar está dentro da gente quando estamos com este Deus maravilhoso”, diz João, salientando que a igreja anglicana é a que mais se aproxima da católica.

Sobre o aborto ele é taxativo. “O aborto não é maravilhoso, fantástico, gostoso, mas é uma situação que, ? s vezes, é necessária para a saúde. A questão do aborto pertence ? área de saúde pública. É absurda a quantidade de mulheres que morrem neste país por causa dos abortos clandestinos. Então, descriminalizar o aborto não é uma questão de fé e de Igreja, mas de saúde pública”, prega.

Outro ponto é que a igreja é a favor da descriminalização. Por exemplo, sou a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Conheço jovens, homens e mulheres, que foram expulsos de casa pelos pais porque eram homossexuais. Eles vão lutar, trabalhar, construir uma vida, ter seus bens patrimoniais. É uma questão civil e de amor também. Hoje, a ciência já mostra que ser homossexual não é ser doente. Muitas vezes, a pessoa nasceu assim. Eu duvido que Jesus Cristo diria: “Não quero você, não aceito você”.

Para celebrar uma missa anglicana, o reverendo, não precisa cumprir o celibato (ser casado), exigência da igreja católica. João Ricardo diz para exercer essa função é necessário que a pessoa tenha alguma formação teológica reconhecida e exercer um trabalho pastoral em sua comunidade. “Quem quiser conhecer o trabalho que desenvolvemos, assim como maiores detalhes sobre a doutrina pode nos procurar aqui na capela na Cohab I. Todos são bem-vindos.” convida.