Médicos residentes em greve fazem passeata na Rua Amando

Uma passeata que teve início na Praça Emílio Peduti – Bosque e se encerrou nas escadarias da Praça Coronel Moura – Paratodos. Foi essa a manifestação dos médicos residentes da Unesp de Botucatu que estão em greve iniciada na sexta-feira da semana passada e, segundo os manifestantes, não têm data para terminar.

Segundo a presidente da Associação dos Médicos Residentes de Botucatu, Priscila Medeiros, os profissionais da Saúde estão buscando a valorização da residência médica e do médico residente. Eles protestam contra os baixos valores de remuneração da bolsa, querem garantia de auxílio moradia e alimentação, além do cumprimento da jornada de trabalho de 60 horas semanais. “A greve é por tempo indeterminado, mas enquanto (a greve) durar, os serviços emergenciais e de urgência serão mantidos, assim como o acompanhamento aos enfermos. É isso que estamos passando ? população”, disse Priscila.

Segundo informações passadas pela presidente, os médicos residentes (327 somente em Botucatu) recebem, há quase quatro anos, o mesmo valor de salário (bolsa) e tem uma jornada com carga excessiva de horas. “A lei preconiza que os médicos residentes trabalhem até 60 horas semanais, mas a carga de trabalho semanal ultrapassa 100 horas”, observa.

Outro detalhe apontado por Priscila Medeiros é que ao contrário dos demais trabalhadores do Brasil, a classe que representa não tem 13º salário, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), adicional de férias, adicional de insalubridade e nem reajuste anual apesar da obrigação em pagar imposto de renda e INSS.

“Em 2007 foi feito uma acordo com o governo, mas ele não foi cumprido e tivemos perdas salariais. Estamos pleiteando aumento de 38,7% na bolsa de residência; garantia de pagamento do auxílio moradia e auxílio alimentação conforme estabelece a Constituição Federal; adicional de insalubridade; reajuste anual e estipulação da data-base; 13º Salário; bolsa-auxílio; aumento da licença maternidade de quatro para seis meses; cumprimento da jornada de trabalho de 60 horas semanais previstas em lei e melhores condições de trabalho”, enumera.

{n}Greve Nacional{/n}

A nível nacional, a greve dos médicos residentes se iniciou na terça-feira da semana passada e de acordo com a Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), vários Estados paralisaram parcialmente ou totalmente suas atividades: São Paulo, Amazonas, Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Ceará e Santa Catarina.

Ainda segundo a Associação, a categoria alega que a bolsa está congelada desde 2007 e reivindica aumento de 38,7% nos salários, que, atualmente, é de R$ 1.916,45. Os ministérios da Saúde e da Educação propõem um reajuste menor, de cerca de 20%. Os 10 mil médicos-residentes do Estado de São Paulo vão discutir se continuam a greve ou se aceitam a proposta do governo durante uma nova assembléia que está prevista para acontecer na tarde desta sexta-feira (27), na Praça da Sé, em São Paulo. Na primeira assembléia ocorrida na segunda-feira (23), a proposta do governo não foi aceita. “Iremos a São Paulo nessa sexta-feira, para ver se o governo acena com uma melhor proposta”, finaliza Priscila.

Fotos e vídeo: Valéria Cuter