Médicos residentes da Unesp farão nova manifestação na cidade

Na próxima terça-feira (14) os médicos residentes da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu que estão em greve desde dia 20 de agosto, prometem realizar mais uma manifestação na busca de um acordo salarial com o governo e melhores condições de trabalho e de atendimento do hospital.

Os médicos residentes são profissionais formados, que fazem especialização em alguma área da medicina. Prestam serviços em hospitais de forma assistencial, nos setores de emergência, cirurgias e consultas agendadas, sob a orientação de um médico.

Os residentes de Botucatu que aderiram a greve geral deflagrada em todo Brasil, já fizeram uma passeata no dia 26 de agosto pela Rua Amando de Barros com o propósito de orientar a população sobre os motivos da paralisação. A passeata começou na Praça Emílio Peduti (Bosque) e foi encerrada na Praça Coronel Moura (Paratodos).

Essa nova manifestação também será feita em uma região central da cidade, onde fluxo de pessoas é acentuado. A concentração dos residentes será na Praça da Catedral na Avenida Dom Lúcio e eles percorrerão a avenida até o Espaço Cultural. “É mais uma passeata pacífica”, revela a presidente da Associação dos Médicos Residentes de Botucatu, Priscila Medeiros.

Ela diz que os profissionais da saúde estão buscando a valorização da residência médica e do médico residente. Protestam contra os baixos valores de remuneração da bolsa, querem garantia de auxílio moradia e alimentação, além do cumprimento da jornada de trabalho de 60 horas semanais. “A greve é por tempo indeterminado, mas enquanto (a greve) durar, os serviços emergenciais e de urgência continuarão sendo mantidos, assim como o acompanhamento aos enfermos. É isso que estaremos passando ? população”, disse Medeiros.

Segundo a presidente, os médicos residentes (327 somente em Botucatu) recebem, há quase quatro anos, o mesmo valor de salário (bolsa) e tem uma jornada com carga excessiva de horas. “A lei preconiza que os médicos residentes trabalhem até 60 horas semanais, mas a carga de trabalho semanal ultrapassa 100 horas”, observa. “Ao contrário dos demais trabalhadores do Brasil, não temos 13º salário, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), adicional de férias, adicional de insalubridade e nem reajuste anual apesar da obrigação em pagar imposto de renda e INSS”, enumera.

Está sendo cogitado para a semana que vem, possivelmente na quinta-feira, uma reunião entre os representantes dos médicos residentes do Brasil com os ministros José Gomes Temporão (Saúde) e Fernando Haddad (Educação) para uma tentativa de acordo. Os manifestantes pleiteiam um aumento de 38,7% na bolsa de residência (atualmente, é de R$ 1.916,45), mas o governo não aceitou. Existe a possibilidade de uma proposta de aumento de 22 %. Se isso for confirmado na reunião, o acordo deverá ser feito e a greve interrompida.

Também será colocado na pauta das negociações a garantia de pagamento do auxílio moradia e auxílio alimentação conforme estabelece a Constituição Federal; adicional de insalubridade; reajuste anual e estipulação da data-base; 13º Salário; bolsa-auxílio; aumento da licença maternidade de quatro para seis meses; cumprimento da jornada de trabalho de 60 horas semanais previstas em lei e melhores condições de trabalho.

Foto: Valério A. Moretto