Médicos de Botucatu em greve fazem manifestação na Praça da Sé

Na manhã desta segunda-feira, vários médicos residentes do Estado de São Paulo estiveram reunidos na Praça da Sé, em São Paulo, para uma assembléia sobre a greve geral iniciada na sexta-feira. Entre os manifestantes diversos residentes de Botucatu.

“Estamos aqui em São Paulo acompanhando o movimento dos residentes de todo Estado. A gente não poderia ficar fora. Estamos hoje em São Paulo e amanhã (terça-feira) vamos nos reunir na Unesp de Botucatu para avaliar os rumos do movimento. O mais importante é que todos os médicos residentes estão unidos nessa causa”, comentou a presidente da Associação dos Médicos Residentes de Botucatu, Priscila Medeiros (foto). “Buscamos a valorização da residência médica e do médico residente”, completou.

Os residentes protestam contra os baixos valores de remuneração da bolsa, querem garantia de auxílio moradia e alimentação, além do cumprimento da jornada de trabalho de 60 horas semanais. A presidente alega que a greve é por tempo indeterminado, mas assegura que enquanto ela (a greve) durar, os serviços emergenciais e de urgência serão mantidos, assim como o acompanhamento aos enfermos.

Priscila Medeiros enfoca que os médicos residentes (327 somente em Botucatu) recebem, há quase quatro anos, o mesmo valor de salário (bolsa). Outra reivindicação é a melhoria nas condições de trabalho. “A lei preconiza que os médicos residentes trabalhem até 60 horas semanais, sendo que em muitos serviços a carga de trabalho semanal ultrapassa 100 horas”, afirma.

Lembra a presidente da Associação que, ao contrário dos demais trabalhadores do Brasil, a classe que representa não tem 13º salário, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), adicional de férias, adicional de insalubridade e nem reajuste anual apesar da obrigação em pagar imposto de renda e INSS.

“Em 2007, um novo reajuste de 23,7% foi prometido pelo governo, o que não foi cumprido”, lembra a presidente. “Então, estamos pleiteando aumento de 38,7% na bolsa de residência; garantia de pagamento do auxílio moradia e auxílio alimentação conforme estabelece a Constituição Federal; adicional de insalubridade; reajuste anual e estipulação da data-base; 13º Salário; bolsa-auxílio; aumento da licença maternidade de quatro para seis meses; cumprimento da jornada de trabalho de 60 horas semanais previstas em lei e melhores condições de trabalho”, finaliza.

foto: Valério A. Moretto