Marins que transladar os restos mortais de Donato

Eles nasceram no mesmo ano (1922) e aos 11 anos escreveram juntos o romance infantil “O Tesouro”, publicada em capítulos no suplemento literário de um jornal dos Diários Associados. Por 83 anos mantiveram a amizade continuada e tornaram-se os maiores escritores de Botucatu com milhões de livros vendidos e traduzidos para vários idiomas. Estamos falando de Hernani Donato e Francisco Marins. O primeiro faleceu em São Paulo, em novembro do ano passado e Marins continua participando das atividades culturais da Cidade.

Como Donato foi sepultado em São Paulo, Marins está fazendo um movimento para trazer os restos mortais do amigo para Botucatu. “Esse, propósito, já aprovado pela família e acredito que as autoridades e o povo de Botucatu, em uníssono, compactuarão para que Hernani Donato, nascido em Botucatu ? Rua Leônidas Cardoso, falecido em São Paulo aos 90 anos e enterrado em cemitério da Capital, por esforço do nosso Centro Cultural, Academia Botucatuense de Letras (ABL), do Tempo e Memória, do nosso Convívium Espaço Cultural e de toda a população tenha seus restos mortais trazidos para Botucatu”, frisa Marins.

O escritor sugere que Donato seja aqui enterrado em campo sepulcral de seus pais. “E, ainda, construído mausoléu, que não precisará ser grandioso, mas glorioso, para memórias do inesquecível escritor, de fama nacional e internacional, o maior nome podemos dizer, sem dúvida nenhuma, da cultura histórica e literária desta Cidade nesta década”, frisou Marins.

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O escritor, historiador, jornalista, professor, tradutor e roteirista brasileiro, Hernani Donato faleceu no dia 22 de novembro de 2012, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, aos 90 anos de idade. Ocupava a cadeira nº 1 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e a cadeira nº 20 da Academia Paulista de Letras.

Donato nasceu em Botucatu em 12 de outubro de 1922 e aos 11 anos iniciou-se na literatura escrevendo (a quatro mãos com Francisco Marins) o romance infantil “O Tesouro”, publicada em capítulos no suplemento literário de um jornal dos Diários Associados. Estudou dramaturgia (na Escola de Arte Dramática) e sociologia, curso que abandonou para se aventurar em uma expedição que desbravaria uma antiga trilha indígena até o Paraguai, chamada de Caminho do Peabiru.

Foi presidente, em duas gestões sucessivas, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Foi membro da Academia Paulista de História, sócio-correspondente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Colaborou com várias revistas — entre elas, a Veja — e jornais, e atuou na TV Tupi, TV Record, Nacional (antecessora da TV Globo). Foi funcionário público municipal e federal. Participou da comissão organizadora dos festejos do IV Centenário da cidade de São Paulo (1954) e de outros programas culturais.

Donato deixa uma extensa folha de serviços prestados ao Brasil com uma infinidade de obras literárias que irão se perpetuar. Uma de suas obras mais conhecidas foi o livro “Achegas para a História de Botucatu”, a mais completa e rica obra sobre a origem de Botucatu, é fonte de informações para pessoas de diferentes segmentos sociais e idades e fundamental em todas as bibliotecas. “Poderíamos nominar o Achegas como a Bíblia de Botucatu”, comparou Marins.

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