Maçonaria restaura mais um jazigo de Venerável Mestre

Na manhã deste domingo (21), membros da Maçonaria de Botucatu estiveram no Cemitério Portal das Cruzes, para acompanhar a colocação da urna feita em mármore que foi restaurada pelo escultor Pedro César, no jazigo do Venerável Mestre Domingos Soares de Barros, fundador da Igreja Presbiteriana e que foi membro da Loja Maçônica “Guia do Futuro”. Barros faleceu em 22 de dezembro de 1890. Seu jazigo é um dos mais antigos e faz parte da história do Cemitério Portal das Cruzes.

O trabalho foi realizado pela Loja Maçônica “Guia Regeneradora”, fundada pelo Venerável Mestre José Gonçalves da Rocha, juiz de Direito, responsável pela introdução da Maçonaria na região de Botucatu em 1875 e que também teve a urna de mármore do seu jazigo restaurado no ano passado. Curiosamente, os jazigos estão de frente um para o outro, na rua principal do cemitério e são muito parecidos.

Na urna estão os restos mortais do Venerável, com documentos da época e uma ata recente sobre a solenidade, com o nome de todos os maçons que acompanham o trabalho da restauração e da colocação do baú de mármore.

A cerimônia foi acompanhada pelo historiador de Botucatu João Carlos Figueroa, que enalteceu a iniciativa da restauração. “O que está sendo feito aqui hoje (no cemitério) é de extrema importância para preservar a história da Maçonaria em Botucatu e um exemplo a ser seguido”, disse o historiador, “Infelizmente muitas pessoas entram no cemitério com o intuito de depredar e acabam destruindo parte importante da nossa história”, complementou Figueroa.

Um dos membros da Maçonaria de Botucatu que esteve acompanhando os trabalhos revelou que a restauração da urna onde estão seus restos mortais de um importante membro, mantém a história. “Esta é a segunda restauração que fazemos e estamos realizando o levantamento de outros túmulos de maçons que necessitam de reparos”, disse. Enfoca que a Maçonaria é uma sociedade discreta, na qual homens livres e de bons costumes, denominando-se mutuamente de irmãos, cultuam a liberdade, a fraternidade e a igualdade entre os homens, tendo como princípios básicos a tolerância, a filantropia e a justiça.

“Os maçons preferem manter-se dentro de uma discreta situação, mas estão espalhados por todos os países do mundo e seus membros são aceitos por convite expresso e integrados ? irmandade universal por uma cerimônia denominada ”iniciação”. Essa forma de ingresso repete-se através dos séculos inalterada e possui um conteúdo, que obriga o iniciando a meditar profundamente sobre os princípios filosóficos que sempre inquietaram a humanidade”, comentou o maçom.

Explica que os maçons reúnem-se em um local ao qual denominam de Loja e dentro dela praticam suas cerimônias realizadas em honra e homenagem a Deus, para eles, o Grande Arquiteto do Universo. Os símbolos são retirados das primeiras organizações maçônicas, dos antigos mestres construtores de catedrais.

“Maçom” em francês significa pedreiro. Devido a esse fato são encontrados réguas, compassos, esquadros, prumos, cinzéis e outros artefatos de uso da Arte Real, ou seja, instrumentos usados pelos mestres construtores de catedrais e castelos, que são utilizados para transmitir ensinamentos.

Fotos: David Devidé