Julgamento de crime de grande repercussão será exibido ao vivo

Fotos: Reprodução

Pela primeira vez na história judiciária do Brasil, a Justiça paulista vai permitir a transmissão ao vivo de um julgamento por emissoras de televisão. A partir de segunda-feira (11), o público de todo o País, do Oiapoque ao Chuí, poderá acompanhar o julgamento do advogado e policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza, acusado de matar a ex-namorada, a advogada Mércia Nakashima, em maio de 2010.

Autor da ideia, o juiz Leandro Bittencourt Cano, do Tribunal do Júri de Guarulhos, acredita que a transmissão pode ajudar a tornar o procedimento mais imparcial e evitar que algumas pessoas fiquem na frente do fórum. O quarteirão do prédio será interditado. “Minha preocupação é a imparcialidade do jurado, que ele não chegue aqui com uma ideia predefinida. O fato de estar todo mundo acompanhando, vendo as provas e a parte técnica do júri, pode ajudar”, justifica o magistrado.

Acusação e defesa concordaram com a proposta do juiz. Empresas de TV, rádio e internet montaram um grupo para decidir como as imagens serão produzidas e distribuídas. Apenas os jurados não poderão ser filmados, por motivos óbvios. O juiz também pretende evitar a superexposição do réu.

Promotor Rodrigo Merli Antunes alegou que as sessões e julgamentos são públicos e qualquer pessoa deveria poder acompanhar. “Por questões físicas, isso não é possível (não cabe todo mundo no plenário do Fórum), então nada melhor que todos terem a oportunidade de acompanhar pela TV”, disse.

{n}Entenda o caso{/n}

Depois de desaparecer em 23 de maio de 2010 da casa dos avós em Guarulhos, Mércia Nakashima foi achada morta em 11 de junho em uma represa em Nazaré Paulista. O veículo onde ela estava havia sido localizado submerso um dia antes. Segundo a perícia, a advogada foi agredida, baleada, desmaiou e morreu afogada dentro do próprio carro no mesmo dia em que sumiu. Ela não sabia nadar.

Para o Ministério Público, Mizael matou a ex-namorada por ciúmes e o vigilante Evandro Bezerra da Silva, acusado de ser o comparsa de Mizael, o ajudou na fuga. Evandro, que chegou a acusar o suposto comparsa e dizer que o ajudou a fugir, recuou e falou que mentiu e confessou um crime do qual não participou porque teria sido torturado.

Mizael é acusado de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. Segundo o Ministério Público, ele matou a advogada por ciúmes, já que não aceitava o fim do relacionamento.

Já o vigia Evandro teria ajudado o advogado a cometer o assassinato. Ele responde pelos crimes de homicídio duplamente qualificado (emprego de meio insidioso ou cruel e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima) e ocultação de cadáver.