João Fubá: um batalhador botucatuense de 75 anos de idade

Se dissermos o nome João Cardoso vai passar despercebido. Porém, se falarmos João Fubá, muita gente vai se lembrar desse cidadão botucatuense, que completa 75 anos de vida neste sábado. Desses anos, 50 foram dedicados a profissão de catador de produtos recicláveis pelas ruas da cidade. Nunca teve registro em carteira e sua história de vida é bastante interessante.

Depois de três infartos no miocárdio que o deixaram com o lado direito parcialmente paralisado e, por isso, fala com dificuldade, esse homem não quer nem ouvir falar em parar de trabalhar, muito menos se internar no asilo, onde já está sua companheira Maria Tereza, de 70 anos de idade.

“Já fui convidado para ir ao asilo, mas não quero nem pensar nisso, porque não gosto de ficar preso. Gosto de trabalhar, andar na rua, conversar com pessoas. Sei que lá (asilo) vou ser bem tratado, mas não quero. Quando tenho algum problema peço socorro aos vizinhos que chamam a ambulância para mim”, conta Fubá.

Embora seja solteiro, João teve um filho com Maria Tereza, chamado Edvaldo Ferreira Cardoso, o “Pucão” que morreu assassinado no Parque Marajoara aos 36 anos de idade.

“Perder meu filho foi um dos momentos mais tristes de minha vida. Só quem teve essa experiência sabe a dor que isso causa. Morreu de bobeira porque bebeu demais em uma festa e conversou com uma mulher. O marido ficou com ciúme e matou meu filho”, lembra o homem.

João revela que sempre teve problema com vizinhos, em razão de tudo que apanha pelas ruas da cidade deixar armazenado no quintal até conseguir vender. Mora na Rua Manuel Gamito, na Vila São Benedito. “Já veio e Vigilância (Sanitária) e tive que maneirar, mas meu trabalho é esse. Faço isso há 50 anos e não sei fazer outra coisa”, disse o homem.

Lembra que guardou durante anos algumas economias para fazer o muro de sua casa para evitar reclamação. “Mas quando tinha R$ 3.250,00 alguém entrou aqui em casa e levou todo dinheiro que estava em uma lata de leite vazia. Então fiquei sem dinheiro. Por isso, não pude fazer o muro e meus vizinhos também não têm dinheiro. Não sei até hoje quem levou o dinheiro”, observa.

Diz que agora não trabalha tanto como antes por estar doente. “Tive três “enfartes”, estou fraco e não consigo falar direito, mas não paro de trabalhar. Ganho do INSS e recebo ajuda da Prefeitura, então vou levando. Continuo apanhando “trecos” na rua para viver e pego tudo que aparece, desde papel até ferro-velho”, conta. “Pena que agora não posso encher meu carrinho como antes. Mas devagarzinho vou levando a vida, trabalhando como Deus quer”, finaliza.