Jazigo de Venerável Mestre da Maçonaria é restaurado

Na manhã deste domingo (21), membros da Maçonaria de Botucatu estiveram no Cemitério Portal das Cruzes, para acompanhar a restauração do jazigo do Venerável Mestre José Gonçalves da Rocha, juiz de Direito, responsável pela introdução da Maçonaria na região de Botucatu fundando a Loja Guia Regeneradora, em 1875. A cerimônia, embora simples, tem um significado especial para os maçônicos da Cidade, que mantém a história viva.

Rocha que veio a Botucatu como juiz municipal foi, barbaramente, assassinado, ? luz do dia, em 10 de novembro de 1877, na Rua Amando de Barros, em razão de se rebelar contra as injustiças, irregularidades e barbaridades que encontrou na Cidade. Seu assassino foi um pistoleiro chamado Antônio Leme da Siqueira, conhecido como Antônio Pedro, contratado por Ferreira Gordo, “capanga” de um dos mandatários da Cidade, na época.

A urna do túmulo de Rocha, confeccionada em mármore carrara havia sido danificada, possivelmente, pela ação de vândalo e foi restaurada pelo escultor Pedro Cesar, sendo recolocada no seu lugar de origem. Na urna estão os restos mortais do Venerável, com documentos da época e uma ata recente sobre a solenidade. O túmulo do Venerável fica na rua principal do cemitério, bem próximo ao portão de entrada.

“A história da Maçonaria em Botucatu começou com José Gonçalves da Rocha, que era juiz de Direito. A restauração da urna onde estão seus restos mortais, mantém viva essa história. Estamos fazendo o levantamento de outros túmulos de maçons que necessitam de reparos”, disse um dos membros da Maçonaria de Botucatu que esteve acompanhando os trabalhos.

Ele revela que a Maçonaria é uma sociedade discreta, na qual homens livres e de bons costumes, denominando-se mutuamente de irmãos, cultuam a liberdade, a fraternidade e a igualdade entre os homens, tendo como princípios básicos a tolerância, a filantropia e a justiça.

“Os maçons preferem manter-se dentro de uma discreta situação, mas estão espalhados por todos os países do mundo e seus membros são aceitos por convite expresso e integrados ? irmandade universal por uma cerimônia denominada “iniciação”. Essa forma de ingresso repete-se, através dos séculos, inalterada e possui um conteúdo, que obriga o iniciando a meditar profundamente sobre os princípios filosóficos que sempre inquietaram a humanidade”, comentou o maçom.

Enfoca que os maçons reúnem-se em um local ao qual denominam de Loja, e dentro dela praticam suas cerimônias realizadas em honra e homenagem a Deus, para eles, o Grande Arquiteto do Universo. Os símbolos são retirados das primeiras organizações maçônicas, dos antigos mestres construtores de catedrais.

“Maçom” em francês significa pedreiro. Devido a esse fato são encontrados réguas, compassos, esquadros, prumos, cinzéis e outros artefatos de uso da Arte Real, ou seja, instrumentos usados pelos mestres construtores de catedrais e castelos, que são utilizados para transmitir ensinamentos.

Fotos: David Devidé