Jazigo da camponesa Ana Rosa é o mais visitado do Portal

 

É no Cemitério Portal da Cruzes, de Botucatu, onde está o jazigo mais visitado, da região e talvez do Estado, principalmente na época de Finados: o túmulo de Ana Rosa. Dezenas de ramalhetes de flores são deixadas no jazigo, todos os anos, pois para muitas pessoas, Ana Rosa é milagreira, ou seja, através de orações e promessas, feitas a ela, pode-se conseguir milagres. Seu túmulo é considerado um ponto turístico.

Também é muito visitada a  capela de Ana Rosa  instalada no Bairro do Lavapés, na entrada da Praça da Juventude, na Cohab I, considerada um local místico, onde muitos garantem que conseguiram milagres através de orações e promessas. A capela em si é pequena e rústica e no seu interior um altar com imagens de vários santos. Ao lado o “velário”, onde a camponesa Ana Rosa teria sido sepultada depois de ser, brutalmente, assassinada aos 20 anos de idade, pelo seu marido conhecido como Chicuta.


Um grupo de pessoas liderado pelas professoras Fátima Fogaça e Vanda Bianchi, vêm colhendo assinaturas com o objetivo de conseguir a sua canonização. Sobre seu jazigo estão anexadas dezenas de placas de agradecimentos de pessoas que teriam conseguido seus milagres. O grupo  acredita que é possível transformá-la em santa e para isso procura aqueles que receberam a graça com o propósito de enviar o documento à Cúria de Botucatu e encaminhar ao Vaticano para que o Papa Francisco avalie a possibilidade da canonização.

 

A história

A história de Ana Rosa é deveras interessante. Ela era casada com Francisco de Carvalho Bastos, conhecido pelo apelido de Chicuta, um carreiro (que transportava gado de um lugar para outro) que trazia a mulher "num cortado", ditado popular na década de 70 do século XIX, que significa poder supremo sobre a companheira.

Temperamental e machista, Chicuta tinha um ciúme doentio pela esposa e começou a tratá-la mal, tanto moralmente como fisicamente, transformando a vida daquela mulher num martírio. Cansada de sofrer, ela resolveu fugir de casa, saindo à cavalo rumo à Botucatu, SP. Lá Chegando pediu abrigo e ajuda na casa de uma mulher conhecida por Fortunata Jesuína de Melo, proprietária de um cabaré.

Chicuta quando chegou em casa não encontrou Ana Rosa. Como um louco saiu à procura da esposa e arrumou a vingança. Foi atrás da fugitiva e chegando à Botucatu contratou José Antonio da Silva Costa, o Costinha, e Hermenegildo Vieira do Prado, o Minigirdo, pra matarem Ana Rosa. Costinha se fez passar por um bom homem e ofereceu cobertura para Ana Rosa deixar o marido. Mal sabia ela que caminhava para uma cilada mortal.

Quando Ana Rosa chegou com Costinha nas proximidades do Rio Lavapés, avistou seu marido e se deu conta da emboscada armada contra ela. A moça pediu a todos os santos para que não a matassem e mesmo assim os assassinos sem piedade consumaram o crime, esquartejando-a. Ana Rosa morreu no dia 21 de junho de 1885, com vinte anos de idade. Era nascida no município de Avaré, SP.

Os criminosos foram presos e condenados. Costinha após cumprir pena saiu e morreu esmagado quando cortava uma árvore. Minigirdo morreu na prisão, vítima de varíola. Chicuta, numa tarde de sexta feira, ia voltando da cidade para a fazenda quando sua carroça puxada por bois parou, de forma misteriosa. Nervoso, batia nos animais, mas o carro não saía do lugar. Ao se deitar no chão para verificar as rodas do carro, os bois seguiram e as rodas separaram sua cabeça do corpo. Para muito foi a vingança de Ana Rosa. A história de Ana Rosa é relatada na música "Ana Rosa" de Carreirinho e gravada em 1957 pela dupla Tião Carreiro e Pardinho.

Vamos à ela:

Ana Rosa casou com Chicuta um caipira bastante atrasado
Levava a vida de carreiro fazendo transporte era o seu ordenado
Tinha um ciúme doentio pela moça, que dava pena do coitado
Batia na pobre mulher com a vara de ferrão de bater no gado, ai.
Resolveu abandonar o marido porque a vida já não resistia
Quando chegou em Botucatu aquela cidade toda dormia
Só encontrou uma porta aberta mas ali não entrava família
Resolveu contar sua história e se abrigar até no outro dia.
O Chicuta quando chegou em casa, Ana Rosa não encontrou
Ele arreou sua besta e como uma fera a galope tocou
Na chegada de Botucatu pra um caboclo ele perguntou
Seu moço essa mulher lá nas “fortunata” vi quando ela entrou, ai.
Num barzinho ali da saída sem destino resolveu chegar
Encontrou com um tal Menegildo e com o Costinha pegou conversar
Vocês querem pegar uma empreitada só se for pra não trabalhar
Pra matar a minha mulher minha proposta vai lhe agradar, ai.
O Costinha montou a cavalo e tocou lá pra “fortunata”
Conversando com Ana Rosa disse que era um tropeiro da zona da mata
Meu patrão lhe mandou uma proposta diz que leva e nunca lhe maltrata
Seu marido anda a sua procura jurou que encontrando ele te mata.
Ana Rosa montou na garupa e o cavalo saiu galopeando
Quando chegou no”lava-pé” aonde os bandidos já estavam esperando
Quando ela avistou seu marido, para todo santo foi chamando
Vou perder minha vida inocente partirei com Deus deste mundo tirano, ai.
Derrubaram ela da garupa já fazendo cruel judiação
Foi cortando ela aos pedaços uma preta assistindo a cruel judiação
Foi correr dar parte a autoridade já fizeram imediata prisão
Hoje lá construíram uma igreja tem feito milagre pra muitos cristãos, ai.

 

Oração a Ana Rosa

“Oh! Alma piedosa de Ana Rosa, vós que tão bem conheceis os sofrimentos desta vida, intercedei por nós junto a Todos os Santos, a Nossa Senhora Mãe de Deus e a Jesus seu filho e rogai pela diminuição de nossa provação e pela solução dos nossos problemas (pensar no problema) e ajudai-nos a ser merecedores da Misericórdia Divina.”

(Rezar três “Pais Nossos” e três “Aves Marias”)