Inter Botucatu não deixa saudade

Já dizia Nelson Rodrigues que “toda unanimidade é burra!” Por isso, com toda certeza a minoria irá achar que sou intransigente, ultrapassado, chato e até desmancha prazer.  Mas tenho a certeza que a grande maioria vai concordar que a Inter Botucatu, ocorrido entre 20 e 23 de novembro é uma coisa pra esquecer.

Embora seja o maior evento de jogos universitários da América Latina e promovido entre os campi’s  da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e que combina competições esportivas, festas e apresentações musicais durante quatro dias, os torcedores (?) deixaram para trás um exemplo de como as pessoas não devem se comportar em cidades vizinhas.

A despeito dos atletas, as torcidas deram um show de falta de respeito com Botucatu. Choveu bebedeira, sexo em todo lugar, consumo de drogas ilícitas, falta de higiene e importunação ofensiva ao pudor, só para citar algumas das barbaridades cometidas ao vivo e a cores.

O mais engraçado é que esse evento começou, exatamente, em Botucatu, em 2001 e a torcida foi piorando ano após ano até chegar nesse estágio que chegou.  Fico imaginando como serão os próximos jogos. Por este evento é que se entende porque ainda não foram abolidos os trotes, onde os calouros passam por situações constrangedoras e vexatórias em festas veladas onde até estupros são cometidos.

O regulamento até que é interessante já que participam  22 campi’s  (Araçatuba, Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Dracena, Franca, Guaratinguetá, Ilha Solteira, Itapeva, Jaboticabal, Marília, Ourinhos, Presidente Prudente, Registro, Rio Claro, Rosana, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Vicente, Sorocaba e Tupã) separados em duas divisões, sendo a primeira com 12 participantes e a segunda com 10. A permuta ocorre entre os dois primeiros colocados da Segunda Divisão com os dois últimos da Primeira Divisão no ano seguinte.

O problema é a maneira com que a torcida se comporta. É aí que está o “xis” da questão.  O furo da bota! Difícil assimilar que aqueles estudantes, no futuro, irão cuidar da vida de pessoas atendendo nas mais diferentes especialidades na área da Saúde. Nem mesmo os “torcedores organizados”, apesar do fanatismo, podem ser comparados a eles.  E ocorre uma inversão de valores porque é a grande maioria que não mede consequência dos atos, principalmente, fora das praças esportivas.  Isso não pode ser considerado diversão. Pipocas! Onde está a graça em perturbar o sossego alheio?

Se alguém achar que estou exagerando basta fazer uma pesquisa de opinião pública para ver a reação da população que conviveu com isso. Para Botucatu a Inter é absolutamente desnecessária e nada agrega. No peso da balança traz muito mais malefícios do que benefícios. Também não estou querendo dizer que os torcedores não devam se expressar, vibrar, gritar, cantar, fantasiar, empunhar faixas e bandeiras. Muito pelo contrário! Mas tudo tem um limite e em Botucatu se ultrapassou a barreira do razoável e o evento não deixa saudade.